" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

07
Jul 19

Se eu acordasse no Brasil de 2019, após 10 anos de hibernação, pediria "Lona"! Ou, voltar a dormir. Como compreender, no susto, que apesar de Sarney ser Presidente do Senado quando eu dormi, toda a ebulição democrática dos anos que antecederam aquele momento iria para o ralo?

 

A esperança de vida ao nascer não diferia muito da de hoje, mas havia esperança. Ah, como havia. Na música não me lembro de grandes feitos, mas Jason Mraz cantava “I’m yours” e era uma delícia. Chico Buarque dera uma pausa para o Chico escritor e não apresentou nenhuma canção nova nesse ano. Milton Nascimento lançou um remaque maravilhoso, com “Travessia”, “Ponta de Areia” e outras jóias.

 

Guido Mantega mentia para nós: “ Foi a maior crise do capitalismo dos últimos 80 anos. Isso mostra que passamos bem pela crise. Podemos dizer que a economia já deixou a crise para trás", dizendo que, com o crescimento registrado no fim do ano (?), o Brasil fechava 2009 com "chave de ouro". Mas, convenhamos, Mantega era um mentiroso afável. Comparar  Mantega e  Paulo Guedes é de uma inominável crueldade. Guedes é a escória do capitalismo bruto, da subordinação estúpida ao financismo mais truculento. Mantega era apenas mentiroso.

 

 Convenhamos que algumas sementes do mal já estavam plantadas: o Estado que só penaliza crescia e  a precarização do trabalho – desde o famigerado governo Collor – fincava raízes fortes. Mas, tínhamos esperanças. Tínhamos, sim.

 

Em 2009, éramos flagelados aqui no Pará pelo governo Ana Julia, uma medíocre conjunção de incompetência, arrogância e inépcia petista, jamais vista no Brasil. Fomos campeões! A prova visível disso é que duas décadas se passaram e  Ana Júlia jamais se elegeu para absolutamente nenhum cargo ao qual se candidatou. Mas, apesar disso, tínhamos esperanças. Tínhamos, sim.

 

Luiz Inácio governava o Brasil, dessa vez sem o meu voto. Encerrei minha longa carreira votando nele em 2002. Em 2006 eu já sabia que o “operário” chegara ao poder, mas a classe operária estava bem depois da manutenção dos fortes interesses do sistema financeiro e das políticas econômicas neoliberais mantidas e aprimoradas, apesar do discurso “revolucionário”.  Ah, houve avanços do ponto de vista do consumo. Mas, conservávamos a esperança. Ainda tínhamos, sim.

 

A única tragédia de 2009, foi perdermos o Juca. Saravá, Juvêncio Arruda!

 

Acordar num Brasil governado por filhos da sífilis – outra hora explico a gravidade disso, desde as sequelas da doença real, entre homens que não respeitam as mulheres, até o que de simbólico quero dizer com isso – quadrilhas de milicianos, bancadas de deputados vinculados a crimes de toda ordem. Crimes mortais contra pessoas, crimes contra direitos individuais duramente conquistados antes e depois de eu hibernar, crimes contra o meio ambiente, crimes contra a infância, a adolescência e a velhice.

 

Escolhi 2009, ao acaso, só para arredondar 10 anos. 

 

publicado por Adelina Braglia às 09:40

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