" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

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Mulheres da maré certamente não é um título tão poético quanto Mulheres de Atenas, memorável composição do Chico Buarque. Mas essas mulheres que cruzam os rios, são namoradas, filhas, irmãs, mães, companheiras, que  participam das lutas coletivas, amamentam seus filhos,  constróem suas casas, cuidam das roças e demonstram, no rosto altivo, a firmeza de quem sabe que a luta é longa.

Vejo-as em todas as reuniões. Às vezes participantes e ativas, às vezes caladas e observadoras, outras vezes visivelmente cansadas das tarefas do dia, mas ainda assim atentas, ao cair da noite, sentadas nos bancos das escolas, lugar onde a conversa mansa tende a levar à descoberta de caminhos menos árduos para a tal da vida suavizar-se. 

Invejo-as. Não no sofrimento, pois sempre divergi da socialização da miséria, que a luta é para garantir a todos os morangos com chantilly, e não uma penca de bananas maduras, quase podres. Invejo-as porque sabem quem são e para onde querem ir, como revela este rosto forte, retrato das mulheres que dominam as nossas marés.

publicado por Adelina Braglia às 23:06

Outubro 2005
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