" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

24
Jul 06

Eu não sei responder perguntas cruciais

sobre a minha vida.

Há gestos que me comovem,

há palavras, ou a ausência delas,

que me trazem insegurança e desconforto.

Há pessoas de quem gosto incondicionalmente,

outras a quem suporto,

umas que me são indiferentes

e outras a quem detesto.

Convivo com todas elas.

E gostaria sempre de ter bons motivos para isto.

Mas nem sempre os tenho.

Transito por lugares onde alguns me são agradáveis,

uns, detestáveis,

e outros, desconfortáveis, mas se é necessário estar neles,

supero a dificuldade.

Se o faço, ou é por dever de ofício, ou pelo prazer da companhia.

Esta resposta é simples.

Não tenho mais esperanças, daquelas que a juventude fazia florescer

e que apresentavam-se com uma insana viabilidade.

Mas tenho expectativas, quase todas irrealisáveis,

o que parece ser a mesma coisa,

apenas dita de forma menos infantil.

Ou não.

Ainda me apego à música

- talvez a única coisa permanente em minha vida -

e continuo a sentir comiseração pelo sofrimento alheio.

Ainda me angustia saber que nascer neste país é loteria,

que para alguns jamais haverá alternativas,

e que sou privilegiada entre os demais.

Resposta fácil.

Hoje, ao acordar, senti uma enorme saudade do meu pai,

medi o tamanho do vazio da ausência das minhas fantasias de adolescência

e dos meus sonhos de juventude

e tive a certeza de que não são substituíveis.


Resposta difícil.

publicado por Adelina Braglia às 13:55

CorretorEmoji

Se preenchido, o e-mail é usado apenas para notificação de respostas.

Este blog optou por gravar os IPs de quem comenta os seus posts.


Julho 2006
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
11
12
15

16
17
18
21
22

23
25
27



Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO