" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

29
Mai 12

 

No país do “non sense” - não, não me refiro ao gênero  literário que prima por ter Lewis Carrol e a maravilhosa Alice como estrelas - falta-nos tudo: verdade, dignidade e justiça. E, sem isso, não somos uma sociedade: somos um ajuntamento de interesses espúrios, arranjos circunstanciais, mentiras repetidas e confirmadas pelas fontes oficiais.

 

Os bufões indecentes do atual “non sense” verde-amarelo -  conduta contrária ao bom senso, segundo Mestre Houaiss -  são o ex-presidente Lula, o ex-ministro da Defesa Nelson Jobim e o ministro do STF, Gilmar Mendes, que, desta vez posa de mocinho e,  desta vez, o é, ainda que um dandi arrogante, amigo do peito de Daniel Dantas (o homem do Opportunity e  primeiro amigo de Lula Filho).

 

Gilmar Mendes cutucou até o relator do mensalão, o Ministro Joaquim Barbosa, afirmando que Lula o chamou de complexado! Fez barba, cabelo e bigode, como se dizia na minha vizinhança de infância!

 

Ativar a CPI do Cachoeira, mostrando que todos se beneficiam e se locupletam, independente do partido ou do cargo que ocupam, foi usado por Lula para atiçar a fogueira da mídia e, enquanto isso, ter um “papinho” com Gilmar Mendes sobre  a inconveniência do processo do mensalão ser julgado agora. Aliás, Lula e sua turma têm sido useiros e vezeiros em provar que a honestidade é relativa, a ética é  temporária e verdade é invenção de desafeto. Mas, que a "paura" do mensalão pesou, disso não há dúvida! Afinal, no relatório do Ministro Barbosa aprende-se que a formação de quadrilha é uma arte adredemente exerida por Zé Dirceu e sua gang.

 

O Ministro Joaquim Barbosa - o complexado, segundo nosso rei - relembra que os 40 do mensalão, segundo o Procurador Geral da República compuseram uma “...sofisticada organização criminosa, dividida em setores de atuação, que se estruturou profissionalmente para a prática de crimes como peculato, lavagem de dinheiro, corrupção ativa, gestão fraudulenta, além das mais diversas formas de fraude

 

O Ministro Barbosa, no seu relatório, afirma que “ ... No julgamento desta ação penal, serão analisados apenas os supostos desvios de recursos da Câmara dos Deputados e do Banco do Brasil. Há outros inquéritos e ações em que se investigam possíveis ilícitos praticados pelas mesmas empresas por meio de contratos celebrados, naquele período, com os Correios, a Eletronorte, o Ministério dos Esportes e outros órgãos públicos.”  Imagine-se que se  “só isto” já deu no que deu, o que virá depois!

 

Além do PSDB, reputado pelo Ministro Barbosa como o partido que inaugurou a “mesada” para partidos e políticos, no governo de Eduardo Azeredo em Minas Gerais, são citadas pessoas e agremiações partidárias que se beneficiaram do mensalão, através das mais variadas artimanhas, típicas das quadrilhas e da Máfia: “... empréstimos estes pactuados e renegociados de forma aparentemente irregular e fraudulenta, mediante garantias financeiras de extrema fragilidade, havendo indícios de que foram celebrados para não serem pagos (empréstimos em tese simulados). Teriam, ainda, idealizado o mecanismo de lavagem de capitais narrado na denúncia, permitindo que se realizassem, nas dependências de agências da instituição (São Paulo, Minas Gerais, Brasília e Rio de Janeiro), as operações de saque de vultosas quantias em dinheiro vivo, sem registro contábil, operacionalizadas através de mecanismos tendentes a dissimular os verdadeiros destinatários finais dos recursos.”

 

 

 Allons enfants! La patrie est nue!

 

 

publicado por Adelina Braglia às 12:20

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