" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

01
Jun 06

Meu interesse por blogs começou por acidente. Uma pesquisa na NET, em meados de março de 2005, me levou a “tropeçar” num blog e nele acabei mergulhando. Naquela noite e nos dias que seguiram. Aliás, afogo-me até hoje na beleza das fotos, das telas, dos poemas e dos textos do antigo samartaime, hoje abracadabra. Depois disto, quis fazer o meu, tendo sido orientada que isto era uma tarefa árdua. Não o fato de “fazer um blog”, mas o compromisso de escrever regularmente. 

Confesso que achei, à época, a recomendação um pouco exagerada. Afinal parecia relativamente simples “fazer um blog”, o que para mim não era muito diferente do fazer diários na adolescência, aqueles que tinham capa dura – o meu era azul – com uma chavezinha, para proteger a intimidade dos olhares curiosos. Esta proteção, no meu caso, foi quebrada pela minha mãe, que não precisou arrombar o delicado cadeado, pois, prenunciando o desligamento que me acompanha até hoje, um dia esqueci o diário aberto e ela o leu!

Caramba! Lembro que no dia seguinte aos seus comentários eu piquei o diário em pedacinhos, e não quis mais fazer outro. E que chorei de raiva noites a fio, pela quebra de privacidade, coisa que eu acreditava quase sagrada! Depois, voltei a escrever.

Muitas vezes, ao longo da vida, cometi versos, copiei poemas, letras de música ou frases soltas que tinham significado especial e as agregava em cadernos e depois, "modernamente", em arquivos de computador, dando às pastas, organizadamente, os rótulos que indicavam seus conteúdos: músicas, poemas, epígrafes, e, é claro, a famosa pasta  "diversos"!

Em 1994, voltei a escrever quase diariamente,  para resgatar sentimentos, fatos e cenas que pareciam querer se perder para sempre no redemoinho da minha memória.

Estas experiências anteriores, no entanto,  pouco se parecem com o compromisso - e a ansiedade - que dá a feitura de um blog. Com ele tenho um envolvimento tão grande que, mesmo quando chego cansada, necessito escrever um bocadinho nele, ou ao menos, publicar uma foto. Há dias, é verdade, em que nada disso eu realizo, por falta de tempo, paciência ou assunto, mas fica um ligeiro incomodo de ter falhado e cá venho eu, nem que seja para espiá-lo um bocadinho.

Fazer um blog, para mim, é um exercício - aparentemente - contraditório, entre a arrogância e a humildade. Arrogância porque me suponho interessante e me largo a comentar a pátria, o circo e a fome! Humildade porque quando exponho meus medos, rancores, desejos, alegrias e frustrações, se penso em censura-los, não o faço, mesmo temendo ter sido piegas, exibida ou idiota, publicamente. Ou será que isto é só uma forma sofisticada de ser arrogante?

Eu faço o blog como faço minhas sessões de psicanálise e esta tela é o meu divã. Penso ainda que faço o blog porque busco, de várias formas, o alívio para o mal estar de estar no mundo e, de alguma forma, o blog funciona para provar-me que consigo dividir o espaço do sótão (ou porão) da minha cabeça entre os meus fantasmas, a realidade e os meus imutáveis desejos. Imutáveis, porque permaneceram desejos por não terem se realizado.

Divirto-me também, é claro,  fazendo um blog. Mas, mais do que isto, purgo-me da minha mansa loucura.

Fui. Dormir, que ninguém é de ferro!

publicado por Adelina Braglia às 01:29

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