A SPM (Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres), o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) e o Unifem (Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher) e apresentaram hoje, em Brasília, os primeiros resultados da pesquisa "Retrato das desigualdades de gênero e raça", que compara microdados Pnads 1996 e 2006.
Além de preparar um detalhado e inédito perfil da população brasileira a partir de recortes de gênero e raça/cor, este trabalho já organiza os dados mais recentes para compará-los com a Pnad 2007 que está será lançada nesta semana.
Veja alguns destaques do estudo.
Chefia de família
- aumento na proporção de famílias chefiadas por mulheres
- crescimento do número de famílias monoparentais masculinas
- crescimento das famílias formadas por casais com filhos chefiadas por mulheres
Educação
- os negros e negras estão menos presentes nas escolas, apresentam médias de anos de estudo inferiores e taxas de analfabetismo bastante superiores.
Previdência e assistência social
- A cobertura é maior para homens idosos brancos e menor para mulheres negras ;
a grande maioria dos domicílios que recebem benefícios assistenciais é chefiada por negros.
Mercado de trabalho
- Mulheres ocupadas são mais escolarizadas que os homens ocupados;
- Negros trabalham mais e nas piores ocupações. Entram mais cedo no mercado e saem mais tarde.
- Meninos negros são as maiores vítimas do trabalho infantil
- Trabalho doméstico remunerado é, ainda, persistente e majoritariamente feminino, negro e informal (sem carteira assinada)
Habitação e saneamento
- Domicílios chefiados por negros aqueles que se encontram sempre em piores condições, têm menos água encanada, esgoto e coleta de lixo;
- Pobreza, distribuição e desigualdade de renda
Nos últimos 12 anos, homens brancos perderam renda, enquanto mulheres e negros ganharam. Ainda assim, o rendimento dos homens brancos supera o de mulheres e negros.
A pobreza e a indigência negras são três vezes maiores que a pobreza e a indigência brancas (Pobre = quem sobrevive com até ½ do SM per capita por dia; Indigente = quem sobrevive com até ¼ do SM per capita por dia)