" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

07
Jun 06
Perdoem-me por chamar o poema de Drummond de "epígrafe". Mas, pareceu-me tão apropriada a utilização do poema para os dias de desordem institucional, de corrupção ativa e passiva, do "descolamento" da responsabilidade pelas ações de governo daqueles que são os responsáveis por elas, que não resisti.
Perdão, Drummond, mas o medo referido no seu poema foi substituído por um sentimento viscoso, que não consigo nominar, nem definir, mas é alguma coisa parecida com "cidadania" sem cidadãos.

" Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que estereliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas."

(Congresso internacional do medo - Carlos Drummond de Andrade)
publicado por Adelina Braglia às 18:31

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