" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

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Ago 08

 

Talvez porque a manhã estava bonita e eu caminhava para o trabalho sem pressa, pude prestar atenção ao adesivo na traseira do carro, onde o candidato a vereador definia-se como “Simplesmente Trabalhador”.

 
A falta de pressa, a manhã bonita e a caminhada à sombra, permitiram divagações sobre os acertos e erros do slogan:
 
1 – O slogan é estranho. Ser trabalhador não é simples.
O trabalhador brasileiro que é “simplesmente trabalhador”, com vínculo formal ou não, recebe baixo salário, tem pouco acesso à qualificação e sua chance de mobilidade social é muito, muito pequena, se ele permanecer “trabalhador” a vida inteira.  Pior ainda se morar, como muitos, no PAAR em Belém, ou no Jardim Ângela, em São Paulo.
 
2 – usar o slogan “Simplesmente Trabalhador”, quem sabe, pretende induzir o potencial eleitor a imaginar semelhanças entre este candidato e o nosso Getúlio moderno. É claro que a exceção que o Presidente Lula representa – e da qual se jacta – para mim não é estimulante. Afinal o Presidente é um orgulhoso não-estudante e sabemos que é um não-trabalhador há pelo menos três décadas e meia.
 
3 – porém, se o termo “simplesmente” for lido como “só” ou “apenas” trabalhador, pode resultar em prejuízos eleitorais, se lido ao pé da letra (aliás, qual é o “pé” da letra?).  Quer dizer, o moço é só trabalhador e se assim é, parece que desqualifica ser isto. Ou se é assim, “apenas” trabalhador, deveria candidatar-se a cargos diretivos do seu sindicato de classe. Para ser representante da população de um município, ainda que priorize os interesses de um segmento, não compete a um vereador ser “só” alguma coisa.
 
4 – o aspecto positivo do slogan seguindo o raciocínio acima, seria os candidatos se identificarem com clareza, facilitando bastante a escolha do eleitor.
Já imaginaram que facilidade seria escolher entre os que se intitularem:  “Simplesmente Trapaceiro”, “Simplesmente Oportunista”, “Simplesmente Desonesto”, “Simplesmente Vigarista”,  etc. e tal. Saberíamos, por exemplo, que quem é “só trapaceiro”, não matou a mãe. Quem se auto-intitula “só vigarista”, não deve ser representante do narcotráfico. E assim, sucessivamente....
 
Santo Ambrósio, seu título eleitoral é de Belém?
 
publicado por Adelina Braglia às 13:30

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