" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

17
Jun 08

 

O blog já andava devagar, quase parando, e eu percebia que ele e eu nos distanciávamos dia após dia.
 
Às vezes parecia cansaço, às vezes preguiça. Mas nunca era por falta de assunto. E foi isso que me levou a pensar melhor hoje por que nos distanciamos meu blog e eu?
 
Domingo meu amigo Benedito Monteiro morreu. Cheguei a escrever sobre nossa amizade antiga, sobre a minha admiração permanente. Mas não consegui publicar. Tudo o que havia escrito parecia pouco, muito pouco.
 
Soube pelos jornais da morte de Jamelão. O grande Jamelão, que dizia que não era puxador de samba, porque puxador é  ladrão de carro. Ele era sambista!
 
Quem vai cantar a Mangueira? Quem vai escrever sobre o verdevagomundo amazônico com o amor do Bené?
 
Há duas semanas morreu a Ana Amélia. Uma menina luminosa, cheia de vigor e juventude. Um enfarte. Desses que a gente não lamenta quando atinge um crápula da política ou dos negócios, geralmente longevo e cansado de tanta maldade. Mas, enfarte em pleno vôo da vida? Não, não é aceitável.
 
Meu país parece um brinquedo de papel, o estado onde vivo parece uma colcha de retalhos de crochê.
 
No ônibus entram os vendedores de bombons, os acompanhantes de cegos, surdos, mudos e agora tem até um sanfoneiro, numa das linhas. Pela janela vejo a cidade suja, o calor que escalda homens e mulheres nas paradas de ônibus sem cobertura. A maioria no meio fio, pois que as calçadas são ocupadas pelos carros, pelo lixo ou pelos ambulantes. Nem sempre nessa ordem.
 
Tenho sim, motivos pessoais para não ser infeliz. Mas, sendo o que sou e como sou, acho que vou comprar uma venda, um tampa-ouvidos e fechar as narinas  e a boca, esta para não maldizer ter nascido fora do tempo e para não lamentar não me adequar ao tempo que me cabe.
 
É. O Travessia nunca foi um mero blog. É meu alter ego e já que o egomatriz não está ativo,  é justo que assim seja. Dias de silêncio. Como no poema de Sá de Miranda:
 
 
“Comigo me desavim,
Sou posto em todo perigo;
Não posso viver comigo
Nem posso fugir de mim.

Com dor, da gente fugia,
Antes que esta assim crescesse:
Agora já fugiria
De mim, se de mim pudesse.
Que meio espero ou que fim
Do vão trabalho que sigo
Pois que trago a mim comigo
Tamanho inimigo de mim?”
 
 
 

 

publicado por Adelina Braglia às 21:04


Bia, levei este post para o crisblogando. Beijos.
Anónimo a 20 de Junho de 2008 às 13:20

A todos chega, amigona!. Para isso quase nascemos,visto que para isso caminhamos.

Mas é bom aproveitar a viagem, já que nos calhou tê-la.
Beijão!
samartaime a 1 de Julho de 2008 às 13:27

Continuo, querida amiga, essa travessia. Apenas, às vezes, encosto no barranco, pra descansar...rsrsrs...

Beijos.

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