" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

03
Ago 08

  

 

 

 

 

Isto é como tudo
não há-de ser nada
a minha namorada
é tudo que eu queira
mas vive para lá da fronteira

Separam-nos cordas
separam-nos credos
e creio que medos
e creio que leis
nos colam à pele papéis

Tratados, acordos
são pântanos, lodos

Pisemos a pista
é bom que se insista
dancemos no mundo

Eu só queria dançar contigo
sem corpo visível
dançar como amigo
se fosse possível
dois pares de sapatos
levantando o pó
dançar como amigo só

Por ódio passado
que seja maldito
amor favorito
não tem importância
se for é de circunstância

Separam-nos crimes
separam-nos cores
a noite é de horrores
quem disse que é lindo
o sol-posto de um dia findo

Sozinho adormeço
E em teu corpo apareço

Pisemos a pista
é bom que se insista
dancemos no mundo

Eu só queria dançar contigo
sem corpo visível
dançar como amigo
se fosse possível
dois pares de sapatos
levantando o pó
dançar como amigo só

Em passos tão simples
trocar endereços
num mundo de acessos
ar onde sufocas
lugar de supostas trocas

Separam-nos facas
separam-nos fatwas
pai-nossos e datas
e excomunhões
acondicionando paixões

Acenda-se a tua
luz na minha rua

Pisemos a pista
é bom que se insista
dancemos no mundo

Eu só queria dançar contigo
sem corpo visível
dançar como amigo
se fosse possível
dois pares de sapatos
levantando o pó
dançar como amigo só.


 

 (Sérgio Godinho)

 

publicado por Adelina Braglia às 20:40

02
Ago 08

 

Cozinhar, se compreendido como berço da vida e do amor, é um ato sexual, segundo as definições de orelha de livros freudianos que foi só o que li sobre o pai da pasicanálise.. Seguindo esse raciocínio, cozinhar pode também ser fonte de traumas, psicoses, e qualquer outra patologia.
 
Eu cozinho nas duas teses...rsrsrs...
 
Hoje, por exemplo, cozinho com infinito prazer. Finito, na verdade. O prazer termina quando desligo o fogo. Não prossegue até o saboreio. Escolhi, lavei, cortei, temperei a meu modo, inovando misturas e sabores. O cheiro é ótimo. O gosto tmbém.
 
Na maior parte dos dias, quando cozinho, sigo a segunda vertente: cozinho os traumas e as psicoses. Acerto no “chute”, como às vezes acerto na vida.
 
Céus! O que fazem meras cebolinhas, salsas e pimentas verdes.
 
Além de ervilhas desidratadas e alguns tomates!!!
 
 
 

 

publicado por Adelina Braglia às 14:34

 

 

 

...é o cinismo e a frase originária é atribída a Getúlio Vargas, que dizia: "Ou o Brasil acaba com a saúva, ou a saúva acaba com o Brasil".

 

Marcos Lula, enteado legitimado por seu pai, Luiz Inácio, não sabia que este laço de parentesco impedia sua candidatura a vereador por São Bernardo.

 

Seu partido, a exemplo do que faz nacionalmente durante seus desvios éticos no poder, alega perseguição de adversários.

 

Saudades do Brizola, que suavizava o cinismo com uma boa  verve. Questionado pelo seu parentesco com o Presidente João Goulart:, afirmou: "... cunhado não é parente.!"

 

 

 

publicado por Adelina Braglia às 10:20

 

Ontem a noite pus-me a refletir,
nas coisas da vida em vez de dormir.
Tive um quebranto fiquei surdo e mudo,
tolhido de espanto mas percebi tudo.
 
O mundo era meu sentia-me um rei.
O tempo era extenso e eu ditava a lei.
Bastou dar um passo e crescer em frente.
Perdi toda a graça quase de repente.
 
Não fosse o sentido de humor apurado.
Que me faz viver um sonho acordado.
 Não via tão claro o sentido da vida.
E tudo seria bem mais complicado.
 
Eu era feliz tinha os meus brinquedos,
o anjo da guarda tirava-me os medos.
Descobri o amor, vi nele o paraíso,
mas para ser expulso às vezes pouco é preciso.
 
Podia ter tudo do bom e do caro.
Que nada acudia ao meu desamparo.
Sou a alma do mundo mais bem informada,
quanto mais me informo mais sei que sei nada.
 
Não fosse o sentido de humor apurado,
que me faz viver a sonhar acordado.
Não fosse o sentido de humor apurado.
E como seria?
 
Que me faz viver a sonhar acordado,
não via tão claro o significado
e tudo seria bem mais complicado.
Ontem a noite pus-me a refletir, nas coisas da vida em vez de dormir.
 
(Utilidade do humor – Clã)
 

 

 

publicado por Adelina Braglia às 08:10

 

É madrugada em Belém do Grão Pará.
 
Não durmo. O sono se foi.
Quem sabe encontra algum bom motivo para voltar,
já que o meu cansaço não o comoveu.
 
Ocupo o tempo pensando sobre muitas coisas.
A dor de perder amigos,
o remorso das conversas adiadas.
 
Penso sobre o afeto
O afeto sob todas as formas:
o afeto de irmãos, de amigos, de amantes.
O afeto de quem sente e não divide.
Ou de quem não sente e administra razoavelmente bem o tédio que isso lhe causa.
 
A cada dia descubro que gosto cada vez mais de estar só por algumas horas.
Ficaria dias, se pudesse. E sei que ficaria bem.
 
Não há barulhos nesta casa junto ao Bosque Rodrigues Alves.
O ruído vem de dentro.
Das palavras que se atropelam na minha cabeça,
porque não foram ditas.
Chego a imaginá-las quando se atropelam:
o m perde uma perna e se reconhece no n!
 
As bonecas negras me olham da estante.
Hoje não dançam o tambor-de-crioula.
A banda de blues também está em silêncio.
 
Não fosse o barulho das palavras e esse seria o silêncio perfeito.
 
Cálculos particulares:
entre 25 e  16,
passa um rio.
Entre eu e eu,
há um muro.
No rio a gente navega.
No muro se bate a testa. 
Entre eu e o meu desejo, passa um mar.
 
publicado por Adelina Braglia às 02:52

01
Ago 08

 

 

 

publicado por Adelina Braglia às 22:30

 

Meu amigo Sérgio Gribel morreu.
 
Fui despedir-me dele. Não, não é verdade. Fui abraçar a Raquel e a Renata. Do Gribel, não vou me despedir. Ainda que não nos sentemos mais na sua varanda, ainda que não haja mais o enorme litro de uísque que ele sorvia com prazer ou a minha vodka congelada – ou a cerveja sem álcool, pois ele era mestre em entender incongruências.
 
Estas coisas é que dão a medida da sua morte. A não-varanda, a não vodka, a não-conversa. Só isso. Ou, tudo isso.
 
Lembro suas histórias. Do Colégio Pedro II, das ruas do Rio de Janeiro da sua adolescência, da Albrás. Dos sonhos que sonhamos juntos.
 
Velho companheiro.
 
Nana Caymmi, aqui perto de mim, canta para nós.
 
 
 
Velho companheiro 
Que saudade de você
Onde está você?
Choro nesse canto a tua ausência
Teu silêncio
E a distância que se fez
Tão grande
E levou você de vez daqui
Sabe, companheiro,
Algo em mim também morreu
Desapareceu
Junto com você
E hoje esse meu peito mutilado
Bate assim descompassado
que saudade de você.
 
(Meu silêncio – Cláudio Nucci)
 
 

 

publicado por Adelina Braglia às 13:46

 

 

... é não escrever como Ana Diniz!

 

 

Pra você, Ana, um vídeo ruim, mas uma música linda. 

 

 

 

 

publicado por Adelina Braglia às 10:49

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