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" Ai, essas cordas de aço...."

Terça-feira, 11.09.07
 
Acordei,  e o vício de passar em revista o noticiário - Estadão, Folha - me faz saber que os  analistas econômicos afirmam que a disparada da inflação pode afetar as projeções do ritmo do  crescimento econômico em 2008!!! Por enquanto, apenas uma "subidinha" da inflação, puxada pelo preço dos alimentos! Isto diminuirá o consumo interno e - tchan!tchan! - ano que vem alguma coisinha pode piorar.
 
 
Para tranquilizar os investidores, é melhor dar logo uma arrumadinha na previsão do crescimento do PIB neste semestre e para o próximo ano. E você, babaca, que só percebe o aumento do preço do açúcar e do café, jamais chegará a banqueiro: o Bradesco já fez a sua revisão do crescimento do PIB e já deu um aumentozinho na previsão da inflação para 2008.
 
 
Mas, se você, babaca, tivesse lido os jornais de ontem, ao invés de sair muito cedo para trabalhar e chegar cansado em casa, já depois do Jornal Nacional e, insistir com olhos cansados em ver um pedacinho da novela para saber quem matou a Taís, saberia que o Presidente Lula não admite que o Brasil seja prejudicado pela crise externa!
 
 
E aparentemente sem que nem porque, na rádio da minha cabeça cantou a Beth Carvalho - "Cordas de Aço", do Cartola. Fui ao arquivo de música e a ouço, de verdade agora. Esperta como estou ultimamente, percebo a analogia com as cordas de aço, flexíveis, que raramente arrebentam se a gente as toca com vigor, mas com delicadeza. É isso a minha nalogia: vigor e delicadeza!  O vigor do sistema financeiro e a delicadeza da nossa pobreza...rsrsrs...
 
 
Como este sapo - o provedor, não o  sapo barbudo do Brizola -  não inclui som, cantem "de ouvido" com a Beth: 
 
  

 

Ai, essas cordas de aço
Esse minúsculo braço do violão
Que os dedos meus acariciam
Ai, esse bojo perfeito
Que trago junto ao meu peito
Só você violão compreende porque
Perdi toda a alegria
E no entanto, meu pinho
Pode crer, eu adivinho
Aquela mulher até hoje
Está nos esperando
Solte o seu som da madeira
Eu, você e a companheira
na madrugada
Iremos pra casa cantando

 

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Convergindo para a igualdade.

Segunda-feira, 10.09.07

" Reflexões sobre a Batalha pelo Estatuto

A ofensiva desencadeada pelo Movimento Brasil Afirmativo no ano passado, em defesa do Estatuto da Igualdade Racial e do Projeto que cria cotas nas Universidades, e ampliada este ano com a criação do Fórum SP da Igualdade Racial, sob a coordenação da Rede Educafro, entra na sua fase decisiva, com a previsão da entrega das 100 mil assinaturas em Brasília, no final deste mês.


Ainda que esta seja uma etapa de um longo processo de luta da população negra pelo reconhecimento dos direitos básicos à cidadania, se faz necessário um balanço desse primeiro ano, em que milhares de pessoas se moveram pelo direito à igualdade, mobilização que se insere no processo mais amplo de luta do povo brasileiro por inclusão e cidadania.
Desde já é fundamental lembrar que o Estatuto, apresentado pelo senador Paulo Paim ainda quando deputado federal pelo PT do Rio Grande do Sul, dorme há 11 longos anos nas gavetas de um Congresso, insensível, desde sempre, às demandas da população negra brasileira.
O substitutivo apresentado pelo senador Rodolpho Tourinho (ex-PFL, atual DEM da Bahia), fruto de um acordo costurado pelo próprio Paim, mantém as linha gerais do Estatuto, que é uma construção de décadas do Movimento Negro Brasileiro. A única alteração – que acabou servindo de pretexto para alguns setores desembarcarem da sua defesa – foi a retirada da proposta do Fundo de Promoção da Igualdade Racial, mas também por acordo transformado na PEC 02/2006, de autoria do próprio Paim.
A polêmica sobre a autoria do projeto e do substitutivo, em verdade, serviu como mero pretexto para alguns setores, muito bem identificados hoje, que acreditam que as transformações se dão à golpes de palavras de ordem.
Se o problema fosse o fato de Tourinho pertencer à fina flor do “carlismo” de ACM na Bahia, portanto, a expressão no Congresso dos setores mais retrógrados da sociedade brasileira, também, por coerência, deveríamos estar contra o PL 73/99, de autoria da deputada Nice Lobão (DEM-MA), que cria cotas nas Universidades, também ela a expressão dos interesses políticos das oligarquias maranhenses, que tem no ex-presidente José Sarney o seu patrono.
Decididamente a questão não é essa, para que não entremos em um debate que, além de vazio, soa falso.
A questão é mais profunda. Os setores do Movimento Negro que se colocam contra o Estatuto – e chegam a pedir a sua retirada são oriundos de duas vertentes: uma se juntou aos autores do livro “Divisões Perigosas”, tornando-se aliada de Ivone Maggie, Peter Fry, Demétrio Magnoli, Ali Kamel e companhia. Ao fazê-lo, José Carlos Miranda, do auto-denominado Movimento Negro Socialista e agregados, assumiram definitivamente o lado do inimigo. Os autores de “Divisões Perigosas” fazem eco, em pleno século XXI, às vozes dos senhores de escravos do final do século XIX; representam a fina flor do pensamento neo-racista brasileiro - aquele que nega a existência de raça para eximir-se da responsabilidade em reparar as iniqüidades do escravismo e do racismo contemporâneo.
A outra, representada pela coordenação do MNU em São Paulo e seus ideólogos, precisa ser melhor discutida e observada porque trata-se de uma corrente, cujas propostas e ação política partem de um diagnóstico carregado de equívocos.
O primeiro deles é desconhecer que a luta por igualdade, contra o racismo e por inclusão e cidadania, não nasceu de suas próprias cabeças. Tem a idade do Brasil e marca a história do país, desde o dia em que o primeiro negro escravizado pisou neste chão, passando por Palmares, pelas dezenas de rebeliões durante o escravismo, rompendo o século XX com a imprensa negra e a Frente Negra, e seguirá até que tenhamos erradicado o racismo e conquistado igualdade e cidadania plenas.
Ao pretender e reivindicar a “invenção” da roda, incorrem os seus adeptos, em mais um equívoco monumental: o de que há negros mais negros que outros, portanto, aos mais negros, cabe dirigir e aos menos negros serem dirigidos. Em síntese é esta a questão de fundo da mentalidade dos que formulam políticas para os que “estão em Congresso”, e os que estão "às margens do Congresso”.
Um outro tipo de equívoco, que aparece com toda nitidez nos discursos, igualmente tem profundas implicações nas práticas e na ação política. Esses setores querem fazer crer que o Brasil é um país bi-nacional, irremediavelmente dividido entre negros e brancos e que, portanto, a afirmação da nossa identidade negra, deva se dá separada da afirmação de nossa condição de negros brasileiros.
A afirmação do caráter bi-nacional e não pluri-étnico resulta na conclusão de que a luta contra o racismo e pela igualdade seja de responsabilidade apenas da parcela negra da população, boa parte da qual - por conta das políticas de branqueamento – ainda não se reconhece como tal. E mais do que isso: essa visão equivocada rejeita a tese de que a afirmação de um Brasil sem racismo só será possível no contexto de uma ampla luta envolvendo todos os setores da sociedade, inclusive indígenas e setores brancos não racistas, e que o nosso objetivo estratégico, ao eliminar o sistema que materializa a supremacia branca, não é afirmar a supremacia negra, mas sim a diversidade étnico-racial brasileira, nosso maior e mais valioso patrimônio.
Há um outro equívoco derivado dessa série. O de que a luta pela afirmação dos 49% da população negra aos direitos básicos da cidadania, seja naturalmente anti-capitalista nesta fase e, portanto, deva ser dirigida pelos setores que se colocam apriorísticamente como de esquerda – ou seja, eles próprios. Os demais, estão naturalmente fora.
Nós, da Afropress, acreditamos que a luta por inclusão e cidadania, neste momento, se dá nos marcos da democracia representativa e do capitalismo, sem prejuízo da defesa de um horizonte estratégico de uma sociedade sem exploração capitalista e sem racismo.
Essas questões, em verdade, são o pano de fundo no debate que precisa ser feito e que vem sendo postergado e ainda não aconteceu, inclusive na preparação do Congresso de Negros e Negras do Brasil, para que o Movimento Negro Brasileiro, se torne um movimento de massas, agregando ao nosso programa as massas pobres, protagonista do Brasil que queremos. A aprovação do Estatuto é só o começo, mas como nos ensina há séculos a sabedoria chinesa, "uma grande caminhada começa com os primeiros passos".
Ao negar-se a dá-los, esses setores que se opõem ao Estatuto, nada mais fazem, do que acomodarem-se ao mundo róseo de suas cartilhas e certezas, numa espécie de radicalismo sem profundidade nem interlocutores que, na verdade, não passa da expressão de uma espécie de sectarismo juvenil, cujo vazio de forma só é superado pela absoluta ausência de conteúdo.
Por tudo isso, mais do que nunca: vamos ao debate!

São Paulo, 7/9/2007"


(Dojival Vieira, jornalista, redator da equipe do site Afropress, aí ao lado.)



 

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Adelina Braglia às 17:19

Os velhos comunistas se aliançaram....

Domingo, 09.09.07
A pequena burguesia, da qual faço parte - goste eu ou não -  tem nostalgia profunda dos seus “desejos” não realizados. E uma contida e educada fúria, quando não administra essa frustração. E uma sensação de abandono quando seus líderes abrem e correm mato a dentro!
 
Hoje, limpando o arquivo, tropecei em músicas que me levaram a caminhos molhados de saudades e outras, como a que Fafá de Belém canta, a uma raiva enorme dos comissários,  do desgoverno.
De repente, me senti perdida sem meus  “velhos comunistas”
 
Caramba!
 
Fafá canta cada palavra como se rasgasse em pedacinhos a minha alma!
 


 
A côr do meu batuque tem o toque,
tem o som da minha voz
Vermelho, vermelhaço,
Vermelhusco,
vermelhante,
Vermelhão...

O velho comunista se aliançou
Ao rubro do rubor do meu amor
O brilho do meu canto tem o tom
E a expressão da minha cor

Vermelho!...

A côr do meu batuque
Tem o toque, tem o som
Da minha voz
Vermelho, vermelhaço
Vermelhusco, vermelhante
Vermelhão...

O velho comunista se aliançou
Ao rubro do rubor do meu amor
O brilho do meu canto tem o tom
E a expressão da minha côr
Meu coração!...

Meu coração é vermelho
De vermelho vive o coração
Tudo é garantido
Após a rosa vermelhar
Tudo é garantido
Após o sol vermelhecer...

Vermelhou o curral
A ideologia do folclore avermelhou!
Vermelhou a paixão
O fogo de artifício da vitória vermelhou...
 
 
 
“.... seu coração tem algo que nunca muda,
mas, que também não envelhece nunca...  
seu coração...
 
vai entre por aquela porta ali
não tem caminho fácil não
é só dar um tempo
que o amor vem pra cada um...
 
(...)
 
é só bater na porta e abrir...
bem que eu disse pra você...
o amor vem pra cada um..”
 
 
Agora já é Zizi Possi quem canta.
 
 
 
 

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Joana, eu e o Lúcio Flávio Pinto.

Sábado, 08.09.07

 

 

Por isso minha madrinha dizia que raiva é muito ruim.
 
Ao me deixar afogar na bílis da notícia anterior, esqueci de dar um abraço apertado no LÚCIO FLÁVIO PINTO, pelos 20 anos do seu Jornal Pessoal, completados nesta primeira quinzena de setembro.
 
Abraço o Lúcio duas vezes: pela comemoração e pela oportunidade de aqui retificar minha "diatribe generalizante anterior", lembrando que há homens e mulheres honrados que batalham na imprensa nacional.
 
O poema, Lúcio, é pra você:
 
 
Morder o fruto amargo e não cuspir
mas avisar aos outros quanto é amargo,
cumprir o trato injusto e não falhar
mas avisar aos outros quanto é injusto,
sofrer o esquema falso e não ceder
mas avisar aos outros quanto é falso;
dizer também que são coisas mutáveis...
E quando em muitos a noção pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.
 
(Tarefa – Geir Campos)
 
 

 

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Joana e eu.

Sábado, 08.09.07

 

“Equipe econômica teme que crise no Senado prejudique votação da CPMF
Partem da equipe econômica os sinais de maior apreensão pelo futuro político do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), às vésperas do julgamento do parecer do Conselho de Ética que recomenda sua cassação. Integrantes do eixo Fazenda-Planejamento defendem a permanência de Renan no cargo.

Em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esses assessores defendem a tese de que o melhor cenário para aprovar a proposta que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) é com Renan sentado na cadeira de presidente do Congresso.”

(...)
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20070908/
 
O texto das notícias tem nas manchetes o seu letreiro luminoso. Mas, como sempre desconfio das manchetes, desejei que o letreiro não correspondesse ao texto e que a minha instantânea irritação fosse apenas vontade de tomar o café, que coava mais lentamente do que eu queria.
 
Peguei o café e voltei para ler a notícia – café que anteontem tinha seu preço mais elevado do que na semana passada - e fui procurar a motivo da minha irritação que, certamente, não era o café e menos ainda Renan Calheiros. Renan não irrita. Renan enoja.
 
Queria eu que a equipe econômica temesse que a crise no Senado afetasse nossa tão frágil noção de honra, de verdade, de ética na política? Queria. E me senti uma perfeita idiota, logo eu, que gosto de ser sagaz e esperta!
 
Colocando mais um café na xícara, penso no que escrevi e retiro o que disse: não sou idiota. Tenho direito de querer que os que comandam “esse país” não sejam apenas honrados. Quero que também pareçam que são, tal qual a mulher de César.
 
O abuso de poder e suas falcatruas, o ostensivo cinismo para mentir e tripudiar que o Presidente do Senado demonstrou, são premiados. Nossos dirigentes acreditam e declaram que tudo isto parece ser somente firula moralista que atravanca interesses nacionais superiores a toda essa "miudeza"! A permanência deste crápula tranqüiliza e preserva a nação!
 
O café esfriou. Derramo-o na pia. E desejo que junto com ele se vá a vontade de escrever sobre as “firulas”. E sinto saudade de quando a gente cantava o samba de Haroldo Barbosa (Notícia de jornal), sobre a dor da Joana por causa de um tal João e lamentava que "...a  dor da gente não sai no jornal..."
 
Que venha o sábado!
 
 
 

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Pátria nossa.

Sexta-feira, 07.09.07

 

 
Houve um tempo em que o dia da pátria me fazia sair de casa, principalmente quando os filhos eram pequenos. Na avenida principal da cidade eu os via desfilar e por mais que tentasse manter a frieza “revolucionária” e fizesse mil restrições à pátria de chinelos, eu chorava. Não era só pela emoção de ver os filhos desfilando, ingênuos e orgulhosos do seu Brasil-varonil,  mas porque a banda marcial, os soldados perfilando-se em frente ao palanque, o povo vestido com roupas de festa, com seu melhor vestido ou camisa, as bandeirolas agitadas por mãos pequeninas,  tudo parecia me integrar a um país que eu sonhava que seria “de todos”, como diz a propaganda do nosso atual comandante-em-chefe.
 
Quando acordei hoje me lembrei com prazer do feriado, da possibilidade de cuidar de coisas que estão sempre sendo postergadas porque o tempo ocupado pelo trabalho dificulta a atenção a tudo, mas demorei para lembrar o motivo da folga. Só agora caiu a ficha do 7 de setembro, da “independência ou morte”.
 
No caso do Brasil, este destino não se cumpriu. Não somos independentes, nem estamos mortos, embora os meninos- zumbis cheirando cola pelas ruas estejam muito perto disto.
 
No meu caso, também não.  Ainda estou viva, e o vaticínio da “independência ou ...”, não se concretizou, ainda que a minha auto-suficiência neurótica – sugestão de diagnóstico recentíssimo que acatei sem muito esperneio – me faça crer que moro debaixo da minha cabeça. Mas, como não consigo me “independer” de um sentimento pesado e forte de que esta pátria, embora continue de chinelos, não me emociona mais, sou, na verdade, eterna refém das minhas esperanças perdidas.
 
E desta melancólica janelinha, mando um abraço pro Ademir Braz pelo seu aniversário, e reproduzo, de novo, um pedaço do poema de  Vinícius de Moraes:
 
 
“Pátria minha”:
.
A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei
Como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos
E sem meias pátria minha
Tão pobrinha!
(...)
 

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Adelina Braglia às 11:23

Cheiro de bolor.

Quarta-feira, 05.09.07

 

A esquerda, aquela que só é solidária nos velórios, não  consegue se constituir numa oposição consequente ao governo Lula, mesmo quando Lula realiza o terceiro e o quarto mandatos de FHC, mantendo a política macroeconômica, não transigindo no pagamento do serviço da dívida com a parte do leão e deixando a sobra para as políticas sociais. Como a pobreza extrema é filha de Cabral, a parcela que sobra desta conta tem sido compensadora para quem mal comia. Não se sabe até quando nem como.

 

 

Lula não sabe o que fazer - nos intervalos em que declara que não sabia de nada - entre o discurso de afago e apoio aos pobres e a prática concreta do abraço fraterno aos muito ricos, seja  apoiando o agro negócio ou garantindo lucros estratosféricos para o sistema financeiro.

 

 

A direita sabe o que fazer: embarca na campanha moralizadora contra a corrupção, como se esta a surpreendesse e não fosse sua filha dileta.  Desloca seu peso para os neo-patriotas que vão de Geraldo Alckmin até João Dória.

 

 

Eu? Também não sei de mais nada.

  

Fui,

 

 

 

 

 

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Cheiro de manga.

Domingo, 02.09.07

 

Ouço conversas como se assistisse TV. Não há interação, ainda que esteja com pessoas que estimo, ainda que esteja ouvindo o que dizem.
Às vezes isso é tão forte que tenho dificuldade para voltar à roda.
Sem conseguir estar atenta ao que faço, mesmo quando quero fazê-lo, hoje reproduzi três vezes a mesma música , na tentativa de ouvir o verso que mais gosto, e quando percebia, ele já havia passado.
Distraio-me no ônibus e já desci várias vezes um ponto adiante de onde pretendia. Esqueço onde deixei o cigarro, perco os óculos sobre a pequena mesa! Perco também fatos e datas na memória.
Há alguns anos me pus a escrever furiosamente durante uma noite e varei a madrugada,
porque temia que alguns fatos, que já havia soterrado na memória, desaparecessem definitivamente.
Se temo que isto seja indício de doença degenerativa, Alzheimer ou correlata, passo um tempo lembrando os nomes das pessoas da família.
Vou remontando a árvore genealógica e, súbito, perco-me nela, porque um nome me faz recordar um cheiro, uma tarde, uma brincadeira. E lá fica a árvore, inconclusa!
E aí me distraio de novo, querendo entender porque gravo coisas aparentemente incompreensíveis: a blusa de bolinhas da minha professora de português, o dia em que a Nena andou de triciclo no porão da casa, a primeira vez que vi na mão da Cleide uma capa de revista com a foto da Leny Eversong.
O bolo de cesta de frutas do meu aniversário de 4 anos, e a minha roupa suja de sorvete e a Lula, aborrecida, subindo comigo a rua Augusta, rumo às aulas de canto da  professora Zita Martins.
A aflição da Annez na calçada do Sindicato dos Químicos, por causa da sua tese que eu datilografei - céus! - na Colônia de Férias dos Metalúrgicos. E naquela semana, no frio de agosto, a notícia que veio pelo rádio da morte de Juscelino.
Os olhos brilhantes do Zé Carlos Maranhão na véspera da festa a que ele não foi
e que depois soubemos que não fora porque havia "caído". Maranhão morreu sob tortura brutal no DOI-CODI.
Uma conversa com a Fernanda, quando íamos à casa da Maria Alice, e ela me falava sobre seu pai. A performance do Paschoal na sala de aula quando nem sequer sabíamos o que era performance!
Rosa chegando na frente do Botequim, galopando sua moto, Vera e eu passando o cabelo a ferro! O garoto de queixo caído ao me ver entrar na vila, pois nunca havia visto uma mulher tão alta.
Nada parece unir essas lembranças, mas,  penso agora, que todas têm em comum a sensação de que eu estava intensamente presente nelas.
Um cheiro de manga invade minhas narinas e lembro dos meus pés cheios de espinhos
depois que pisei nas folhas de macaúba que fui colher para trazer para minha mãe. E ao chegar, aos prantos na casa da avó, meu pai tirou cada espinho com paciência e delicadeza, e a avó foi buscar uma manga, daquelas enormes que ela escondia na despensa.
Agora sou eu a avó, e interrompo esse devaneio ao ouvir Beatriz:
Ei, Vó, você não vai dormir?
E o real ocupa seu lugar.
 
 
 
Atualizada hoje, 07.09.2007
 
 
Chegou agora, por e-mail, um complemento da Lula, sobre o bolo cesta de frutas.
Transcrevo o trecho, nesta  memória, agora a quatro mãos:
"..... e gostaria de comentar sobre o bolo. Fiquei ao lado de seu Osvaldo enquanto ele fazia o bolo. Sempre o ajudava na cozinha. Lembra o  bolinho baiano? Aquele bolo era uma tentação e a maçã me encantava. Era rara e muito cara e para mim foi a glória da festa. Esperei ansiosa o "parabéns" só para pegar a maçã  e a peguei. Até hoje me lembro do gosto bom, mesmo não sendo mais minha fruta preferida.
Beijos, Lula. "
 
 
Beijo pra você, também. Com gosto de maça. Daquela maça da  cesta.
 
 

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