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As palavras.

Sábado, 22.09.07

 

As palavras ferem.
Quem faz delas adágio para o sentimento
corre sérios riscos.
Assim como os que acham que o gesto
é só o complemento do que é dito.
 
Certas ou erradas,
as palavras têm força.
Agigantam-se, às vezes,
e te pegam desprevenida.
 
Não há poesia sem palavras
E os concretistas que me perdoem,
detesto decifra-las.
Não gosto de dar-lhes sentido
além do que elas são.
 
Gosto delas assim:
algumas deixando pernas e braços
escapar das suas formas redondas ou ovaladas.
 
As palavras não voam.
Elas ficam circundando o ar,
o tempo,
o lugar.
 
As palavras são simples.
Assim.
Como as descreve o poeta.
 
 
 
Os sábios ficam em silêncio quando os outros falam
Crianças gostam de fazer perguntas sobre tudo
As máquinas de fazer nada não estão quebradas
Nem todas as respostas cabem num adulto

As pedras são muito mais lentas do que os animais
As chuvas vêm da água que o sol evapora
As músicas dos índios fazem cair chuva
Os dedos dos pés evitam que se caia

Os rabos dos macacos servem como braços
Os rabos dos cachorros servem como risos
Palavras podem ser usadas de muitas maneiras
As vacas comem duas vezes a mesma comida
 
 (Maneiras – Arnaldo Antunes e David Calderoni)
 

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E, para animar o sábado...

Sábado, 22.09.07

 

Para quem acha que em São Paulo não se faz música...

 

 

 

Cuitelinho - Paulo Vanzolini (que não compôs apenas Ronda)

 

 

 

 

 

 

Seu olhar - Arnaldo Antunes e Paulo Tatit;

 

 

  

E para confirmar que Caetano acertou em cheio quando falou da nossa deselegância "nada" discreta... as moças deselegantemente vestidas cantam Adoniran Barbosa!

 

 

 

 

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Adelina Braglia às 09:40

A raivinha da Ministra.

Sábado, 22.09.07

 

Ontem pela manhã, os jornais na TV mostravam uma enfurecida ministra Dilma Roussef que bem ao estilo do seu antecessor, o Comissário Dirceu, esbravejava sobre o relatório do TCU, que apontou irregularidades em 77 das 231 obras em andamento sob a responsabilidade da União.
 
A ministra é, no geral, irritadiça e grosseira. Mas, ainda assim surpreendeu pela assustadora impertinência e arrogância, pressupondo talvez que seu ar aborrecido era suficiente para nos garantir que as irregularidades graves apontadas pelo TCU são irrelevantes  inconsistências ou intrigas da oposição!
 
Bravinha, a ministra esperneou pelo fato do Tribunal estar cumprindo sua atribuição. Nunca “nesse país” governantes exigiram impunidade para a improbidade com tanta desfaçatez.
 
Aqui com as minhas teclas creio que os comissários governam e agem como quem tomou o Palácio de Inverno na última eleição, e por isto, ao contrário da nudez de Nelson Rodrigues, acreditam e exigem que toda falcatrua e desrespeito deve ser perdoada no processo revolucionário que colocaram em marcha!
 
Louve-se FHC e seu nariz empinado que não tentou nos convencer que suas “diatribes” eram revolucionárias. E aos mais afoitos, aviso: não tenho saudades de FHC e seus meninos dourados.  Mas tenho saudades dos malandros que o Chico garantiu que não existem mais.

 

 

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Adelina Braglia às 06:39


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