" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

08
Set 07

 

 

Por isso minha madrinha dizia que raiva é muito ruim.
 
Ao me deixar afogar na bílis da notícia anterior, esqueci de dar um abraço apertado no LÚCIO FLÁVIO PINTO, pelos 20 anos do seu Jornal Pessoal, completados nesta primeira quinzena de setembro.
 
Abraço o Lúcio duas vezes: pela comemoração e pela oportunidade de aqui retificar minha "diatribe generalizante anterior", lembrando que há homens e mulheres honrados que batalham na imprensa nacional.
 
O poema, Lúcio, é pra você:
 
 
Morder o fruto amargo e não cuspir
mas avisar aos outros quanto é amargo,
cumprir o trato injusto e não falhar
mas avisar aos outros quanto é injusto,
sofrer o esquema falso e não ceder
mas avisar aos outros quanto é falso;
dizer também que são coisas mutáveis...
E quando em muitos a noção pulsar
— do amargo e injusto e falso por mudar —
então confiar à gente exausta o plano
de um mundo novo e muito mais humano.
 
(Tarefa – Geir Campos)
 
 

 

publicado por Adelina Braglia às 07:28

 

“Equipe econômica teme que crise no Senado prejudique votação da CPMF
Partem da equipe econômica os sinais de maior apreensão pelo futuro político do presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), às vésperas do julgamento do parecer do Conselho de Ética que recomenda sua cassação. Integrantes do eixo Fazenda-Planejamento defendem a permanência de Renan no cargo.

Em conversa com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, esses assessores defendem a tese de que o melhor cenário para aprovar a proposta que prorroga a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) é com Renan sentado na cadeira de presidente do Congresso.”

(...)
http://www.estadao.com.br/estadaodehoje/20070908/
 
O texto das notícias tem nas manchetes o seu letreiro luminoso. Mas, como sempre desconfio das manchetes, desejei que o letreiro não correspondesse ao texto e que a minha instantânea irritação fosse apenas vontade de tomar o café, que coava mais lentamente do que eu queria.
 
Peguei o café e voltei para ler a notícia – café que anteontem tinha seu preço mais elevado do que na semana passada - e fui procurar a motivo da minha irritação que, certamente, não era o café e menos ainda Renan Calheiros. Renan não irrita. Renan enoja.
 
Queria eu que a equipe econômica temesse que a crise no Senado afetasse nossa tão frágil noção de honra, de verdade, de ética na política? Queria. E me senti uma perfeita idiota, logo eu, que gosto de ser sagaz e esperta!
 
Colocando mais um café na xícara, penso no que escrevi e retiro o que disse: não sou idiota. Tenho direito de querer que os que comandam “esse país” não sejam apenas honrados. Quero que também pareçam que são, tal qual a mulher de César.
 
O abuso de poder e suas falcatruas, o ostensivo cinismo para mentir e tripudiar que o Presidente do Senado demonstrou, são premiados. Nossos dirigentes acreditam e declaram que tudo isto parece ser somente firula moralista que atravanca interesses nacionais superiores a toda essa "miudeza"! A permanência deste crápula tranqüiliza e preserva a nação!
 
O café esfriou. Derramo-o na pia. E desejo que junto com ele se vá a vontade de escrever sobre as “firulas”. E sinto saudade de quando a gente cantava o samba de Haroldo Barbosa (Notícia de jornal), sobre a dor da Joana por causa de um tal João e lamentava que "...a  dor da gente não sai no jornal..."
 
Que venha o sábado!
 
 
 
publicado por Adelina Braglia às 07:07

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