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Você tem fome de quê?

Terça-feira, 15.05.07

 

 

Os resultados da produção agrícola brasileira, segundo comparação entre estimativas de abril de 2007 em reação à safra do ano anterior, são preocupantes.

Houve redução de 0,1% da área plantada e a soja e o milho foram os produtos cuja área de plantio cresceu, sendo a redução da área de plantio de arroz a responsável pelo crescimento negativo, eufemismo estatístico para indicar que caiu mesmo!

Verifica-se ainda que, silenciosamente, porque nem há referência no texto do IBGE, a área plantada da mamona teve uma expansão de 20,1% entre a safra 2006 e a estimativa de abril de 2007.

Assim, aquietem-se espíritos negativistas: não vamos comer mesmo, mas vamos cheirar combustível alternativo para a eternidade e rolaremos felizes nas montanhas de grãos de soja nos silos da vida!


Fui.

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Adelina Braglia às 09:43

Saudades...

Sábado, 12.05.07

 

 

Ando sentindo saudades de mim,
daquela que eu teimo que era,
mas que não tenho mais certeza se existiu.

E quando sinto esta saudade de mim,
- o que tem acontecido com uma indesejável freqüência –
sinto, na verdade, falta das risadas frouxas e dos ataques de fúria
que só aconteciam, os ataques,
porque havia uma inabalável certeza de que tudo mudava,
mas muito devagar.

Quando sinto esta saudade de mim, quase não me reconheço no espelho:
olhos baços, na boca um traço entre o cansaço e o susto.

Se eu tivesse sido o que imagino ter sido,
seria eu hoje esta somatória de desejos não realizados
e feroz auto-controle sobre a minha intolerância?

Quem sabe apenas não gosto do que sou agora
e tenha inventado uma mulher no passado para ter o consolo de ter mudado?

Mas esta saudade de mim é tão forte
que prefiro continuar a crer que existi.


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Lembrete do RSF.

Sexta-feira, 11.05.07

 

 

 

Legenda: Do jeito que matam jornalistas no Iraque,

em breve terão que ir vocês mesmos buscar a informação".

(www.rsf.org)

 

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Sobre duas falácias.

Sexta-feira, 11.05.07

 

Neste ano o Dia das Mães e a data comemorativa da Abolição da escravatura no Brasil, coincidem. Domingo, 13 de maio.

Abraço para as mães.

Axé para os negros.

 

 

Mamãe, mamãe não chore
A vida é assim mesmo eu fui embora
Mamãe, mamãe não chore
Eu nunca mais vou voltar por aí
Mamãe, mamãe não chore
A vida é assim mesmo eu quero mesmo é isto aqui
Mamãe, mamãe não chore
Pegue uns panos pra lavar, leia um romance
Veja as contas do mercado, pague as prestações
Ser mãe é desdobrar fibra por fibra os corações dos filhos
Seja feliz, seja feliz


Mamãe, mamãe não chore
Eu quero, eu posso, eu quis, eu fiz,

Mamãe, seja feliz
Mamãe, mamãe não chore
Não chore nunca mais, não adianta

eu tenho um beijo preso na garganta
Eu tenho um jeito de quem não se espanta

(braço de ouro vale 10 milhões)
Eu tenho corações fora peito
Mamãe, não chore, não tem jeito


Pegue uns panos pra lavar leia um romance
Leia "Elzira, a morta virgem", "O Grande Industrial"
Eu por aqui vou indo muito bem ,

de vez em quando brinco Carnaval
E vou vivendo assim: felicidade na cidade que eu plantei pra mim
E que não tem mais fim,

não tem mais fim,

não tem mais fim

(Mamãe coragem - Torquato Neto e Caetano Veloso)

 

“A minha vida de todos os dias é a de negro. Como tal, mantenho com a sociedade uma relação de negro. No Brasil, ela não é das mais confortáveis”.

"Ser negro no Brasil é, pois, com frequência, ser objeto de um olhar enviesado. A chamada boa sociedade parece considerar que há um lugar predeterminado, lá em baixo, para os negros e assim tranquilamente se comporta. Logo, tanto é incômodo haver permanecido na base da pirâmide social quanto haver "subido na vida".

“Trata-se, na realidade, de uma forma do apartheid à brasileira, contra a qual é urgente reagir se realmente desejamos integrar a sociedade brasileira de modo que, num futuro próximo, ser negro no Brasil seja, também, ser plenamente brasileiro no Brasil”.


Milton Santos

"O que mais preocupa não é o grito dos violentos, nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem-caráter, nem dos sem-ética. O que mais preocupa é o silêncio dos bons!"


Martin Luther King

(Epígrafes do artigo de Edson França - Afropress, 08/05/2007)

 

 

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O Papa é pop?

Quinta-feira, 10.05.07

 

Os brasileiros recebem o Papa como recebem uma banda de rock. Delírio na galera à frente do Mosteiro de São Bento, onde Sua (deles) Santidade acena através do vidro blindado.

O circo, alimentado pela mídia e pelas autoridades, oculta o objetivo real da visita, que não é a canonização de Frei Galvão.

O Papa declara o aborto crime, o homossexualismo doença e desvio de comportamento e seu maior representante “político” aqui, Dom Magella, afirma que educação sexual nas escolas é promiscuidade. Mas, os brasileiros recebem o Bono Vox de batina, alheios à promíscua  - esta sim - interferência que a Igreja mantém entre a religiosidade e seus interesses patrimoniais como estado soberano, malandragem que só o Vaticano tem entre as religiões. Por isto a proposta de um Acordo Bilateral, ou seja lá o nome que tenha, aquilo que o Papa vem pressionar para ser assinado.

Entre outras coisas, o “acordo diplomático” propõe o ensino religioso nas escolas - arranhando o laicismo da nossa Constituição – a transformação do casamento religioso em ato de reconhecimento civil e, evidentemente porque o Santo Papa é também o gestor dos bens da fé, isenções tributárias para a Igreja e seu patrimônio.


Vamos lá, Mr. Bono:



I gotta go!
I believe in a celebration
I believe we can be free.
I believe you can loose these chains
I believe you can dance with me, dance with me.
Shake! Shake!
Shake! Shake!

I believe in the Third World War
I believe in the atomic bomb.
I believe in the powers-that-be
But they won't overpower me.

And you can go there too,
And you can go, go, go, go!
Shake! Shake!

And we don't have the time
And everything goes round and round
And we don't have the time
To watch the world go tumbling down.
I believe in the bells of Christchurch
Ringing for this land.
I believe in the cells of Mountjoy
There's an honest man.

And you can go there too,
(...)


I believe in the walls of Jericho
I believe they're coming down.
I believe in this city's children
I believe the trumpet's sound.

(A celebration – U2)





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Dizeres.

Quinta-feira, 10.05.07

 

"Eu, há dezessete anos, sou um dramaturgo. Há dezessete anos pago o preço de nunca escrever para agradar os poderosos. Há dezessete anos tenho minha peça de estréia [Barrela] proibida. A solidão, a miséria, nada me abateu, nem me desviou do meu caminho de crítico da sociedade, de repórter incômodo e até provocador. Eu estou no campo. Não corro. Não saio. E pago qualquer preço pela pátria do meu povo."
(Plínio Marcos)




Do mesmo modo


que da alegria foste


ao fundo


e te perdeste nela


e te achaste


nessa perda


deixa que a dor se exerça agora


sem mentiras

 
nem desculpas

 
e em tua carne vaporize


toda ilusão

 
que a vida só consome


o que a alimenta.


(Ferreira Gullar)

 

 

 


Você me chama

eu quero ir pro cinema

você reclama

meu coração não contenta

você me ama

mas de repente a madrugada mudou

e certamente

aquele trem já passou

e se passou

passou daqui pra melhor

foi

só quero saber

do que pode dar certo

não tenho tempo a perder.

(Torquato Neto)

 

 

 

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Vozes do Planalto...

Terça-feira, 08.05.07

 

Não há mal estar maior do que o que é alimentado pela falta de boas expectativas,ainda que se busque as boas novas no planeta – e no Planalto Central do país.

 

A leitura do jornal quase apavora: Comissão de Constituição e Justiça do Senado aprova a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos, sendo que o Presidente da CCJ é ACM. Ele mesmo.

 

O PAC, colcha de retalhos de compromissos orçamentários jamais cumpridos, neste e nos governos anteriores, está devidamente emPACado.

 

Como a imprensa anda fuçando o que foi feito em 100 dias, o Governo anuncia que vai garantir a desoneração tributária das obras porque, na verdade, é preciso garantir os investimentos privados, via PPPs.

 

Ah!!!!

 

 E o Ministro Mantega informa também que o “comércio varejista cresce a taxas chinesas!!!” Então tá.

 

Mas, tem mais. Agora as obras têm carimbos. Segundo a Ministra da Casa Civil:

“...o governo optou por um "viés conservador" e com "maior rigor possível" na classificação do andamento das obras do programa. No balanço, 61 obras foram classificadas com o carimbo verde - de adequado - 39 receberam o carimbo amarelo - de atenção - e 7 obras estão com carimbo vermelho - indicativo de uma situação preocupante.”

Carimbos. Verde. Amarelo. Vermelho.Parece aulinha de trânsito de escola maternal. Pare, olhe, pense. Tem mais:

 

“Ao comentar as obras da BR-163, que liga Mato Grosso ao Pará, classificada com o carimbo amarelo, Dilma disse que o "problema fundamental" no cronograma da obra é a necessidade de autorização para se utilizar rochas do parque nacional Jamaxim.

Ela explicou que o custo da obra vai encarecer muito se for preciso buscar rocha em outras regiões e, novamente, evitou falar da resistência de setores do meio ambiente.”

 

Tão trivial a Ministra.

E aqui no Pará, na capital do estado, um crime bárbaro acabou expondo a agiotagem como atividade legalíssima. Nenhum espanto, nenhuma manifestação da Imprensa, ou da Polícia Federal ou da Polícia do estado sobre o assunto. Os juros cobrados pelos assassinados variava de 3,5% a 8%, dependendo da entrevista, do jornal ou do dia em que a entrevista se realizou.

Não. Não sou pessimista.

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Os guris.

Sexta-feira, 04.05.07

 

Não há lugar que acomode essa inquietação,
que toma formas tão variadas que eu  também a nomeio de formas diversas.
 
Ora é tristeza. Ora é tédio. Ora é uma estranha e insustentável euforia, como se uma esperança curtinha me pegasse distraída.
 
Sei que minha síndrome de poder e grandeza – megalomania – me conduz a acreditar que sou responsável pelos males do mundo. E isso é doença.
 
Mas sei também que é impossível ser indiferente ao tempo em que vivo. Isso seria vedar os olhos ao entorno.
Não dá pra ser indiferente à iniqüidade da vida da maioria, indiferente ao mal estar no olhar das crianças e adolescentes que atravessam meu caminho na rua, nas praças, no ônibus. À desesperança dos velhos e à descrença dos adultos.
 
Sei, porém, que a minha solidariedade improdutiva não leva a nada.
E a receita certa, eu não consigo seguir: parece-me um bolo desandado,
daqueles que a mãe mandava atirar no lixo.
 
A música de hoje não é coincidência. Aliás, a música do meu rádio-cabeça de hoje
é que, certamente, motivou o post:
 
 
Meu guri.
Chico Buarque.
 
 
Quando, seu moço, nasceu meu rebento
Não era o momento dele rebentar
Já foi nascendo com cara de fome
E eu não tinha nem nome pra lhe dar
Como fui levando, não sei lhe explicar
Fui assim levando ele a me levar
E na sua meninice ele um dia me disse
Que chegava lá
Olha aí
Olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega suado e veloz do batente
E traz sempre um presente pra me encabular
Tanta corrente de ouro, seu moço
Que haja pescoço pra enfiar
Me trouxe uma bolsa já com tudo dentro
Chave, caderneta, terço e patuá
Um lenço e uma penca de documentos
Pra finalmente eu me identificar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega no morro com o carregamento
Pulseira, cimento, relógio, pneu, gravador
Rezo até ele chegar cá no alto
Essa onda de assaltos tá um horror
Eu consolo ele, ele me consola
Boto ele no colo pra ele me ninar
De repente acordo, olho pro lado
E o danado já foi trabalhar, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
E ele chega

Chega estampado, manchete, retrato
Com venda nos olhos, legenda e as iniciais
Eu não entendo essa gente, seu moço?
Fazendo alvoroço demais
O guri no mato, acho que tá rindo
Acho que tá lindo de papo pro ar
Desde o começo, eu não disse, seu moço
Ele disse que chegava lá
Olha aí, olha aí
Olha aí, ai o meu guri, olha aí
Olha aí, é o meu guri
 
 
 

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O rap do poeta.

Quarta-feira, 02.05.07

 

Zeca Menino morreu ontem na estrada
com duas balas enfiadas na cumbuca;
era parceiro de Domingo Sacanagem
outro garoto que dançou numa arapuca.
Ainda ontem os dois curtiam embaladas,
jogavam bola no campinho da poeira
ficaram prenhas suas duas namoradas
que se escondem lá pras bandas da Mangueira

Zeca dizia que seu corpo era fechado,
ninguém duvida que essa coisa aconteça,
mas se fecharam o corpo dele, a cabeça
estava exposta ao balaço do soldado.
Depois disseram que o pistola era paisano...
A mesma história com fulano e com sicrano!

Não tem remédio, não tem saída
pra essa droga que alguns chamam de vida.

 


(Periferia - Ademir Braz)


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