" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

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Abr 07

 

" Desigualdade no país pára de cair em 2006


No ano passado, praticamente não houve mudança no grau de concentração de renda do trabalho, afirma estudo

Percentual de trabalhadores abaixo da linha de miséria também parou de cair em 2006, segundo artigos editados pelo Ipea

ANTÔNIO GOIS
DA SUCURSAL DO RIO

A redução da desigualdade, ocorrida principalmente de 2001 a 2005, dá sinais de que está perdendo o fôlego. No ano passado, praticamente não houve mudança no grau de concentração de renda do trabalho nas seis principais regiões metropolitanas. O mesmo aconteceu com a miséria: depois de um período de queda até 2005, o percentual de trabalhadores abaixo da linha de miséria parou de cair em 2006.
Essas conclusões estão em artigos editados no livro "Desigualdade de Renda no Brasil: uma Análise da Queda Recente", que o Ipea (Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada) lança amanhã, no Rio.
O artigo que mais analisa o comportamento da desigualdade em 2006 é do pesquisador Marcelo Neri, do Centro de Políticas Sociais da FGV. Além dele, Ricardo Paes de Barros, Mirela de Carvalho, Samuel Franco e Rosane Mendonça -do Ipea e da UFF- também destacam que a velocidade de queda da desigualdade deve ter diminuindo substancialmente.
Para captar os movimentos em 2006, os pesquisadores usaram a PME (Pesquisa Mensal de Emprego) do IBGE. Ela tem a vantagem de ser mais atualizada do que a Pnad (pesquisa anual domiciliar do IBGE cujos resultados de 2006 só serão conhecidos no segundo semestre), mas a desvantagem de se referir apenas aos rendimentos do trabalho em seis regiões metropolitanas.
A Pnad abrange todo Brasil e todas as formas de renda, inclusive aposentadoria e Bolsa Família, entre outras.
O estudo de Neri mostra que a desigualdade de renda do trabalho medida pelo índice de Gini vinha caindo nas seis principais regiões metropolitanas (Rio, São Paulo, Porto Alegre, Belo Horizonte, Recife e São Paulo) desde 2002 até 2005, num movimento similar ao detectado pela Pnad para todo o Brasil. De 2005 para 2006, no entanto, praticamente não houve avanço na desconcentração da renda do trabalho nas regiões metropolitanas.
Em março de 2002, o índice de Gini medido pela PME estava em 0,633 (quanto mais próximo de 1, maior é a desigualdade). Em julho de 2005, chegou a 0,601. A partir daí, no entanto, praticamente não houve mais redução e, em junho de 2006, o Gini era de 0,600.
A mesma tendência foi verificada quando Neri calculou pela PME o índice de miséria entre os trabalhadores de regiões metropolitanas. Em junho de 2002, esse percentual era de 23,16%. Ele caiu anualmente até chegar a 18,52% em 2005, mas em junho de 2006 ficou estagnou em 18,57%.

Limite
Para Neri, a redução do ritmo de queda da desigualdade sugere que as políticas públicas que o Brasil usou para diminuir a concentração de renda até 2005 chegaram a um limite. Ele cita a alta do salário mínimo, a ampliação do Bolsa Família e os retornos da educação.
No caso do mínimo, como o valor em 2006 já havia chegado a R$ 350 (R$ 380 hoje), qualquer aumento terá pouco impacto na extrema pobreza, já que essa população ganha menos do que isso e trabalha no setor informal.
Em relação à educação, o pesquisador afirma que boa parte da redução da desigualdade até 2005 foi fruto "dos bons investimentos feitos" durante o governo Fernando Henrique Cardoso. "As semeaduras dos últimos anos, no entanto, não foram muito boas. Tomara que o "PAC da educação" reverta isso", afirma.
Quanto ao Bolsa Família -cujo efeito ou não na redução da desigualdade em 2006 só poderá ser captado com precisão com a divulgação da nova Pnad-, Neri defende que a ampliação foi um mérito de Lula, mas que ele chegou a um limite quando atingiu a meta de 11 milhões de famílias.



Publicado em: 12/04/2007
Fonte: Folha de São Paulo

(Clipping Página Sindical - www.gestaosindical.com.br)

 


publicado por Adelina Braglia às 11:06

 

 

" A implantação da indústria açucareira no Brasil, baseada no latifúndio, no trabalho escravo e na monocultura da cana de açúcar para exportação, data do período colonial e foi sempre apoiada pelos governos nacionais. Essa política, do Estado como financiador e organizador dos lucros dos usineiros, principalmente com a política do perdão das dividas, se mantém até hoje.


(...)

 Os usineiros sempre pegaram dinheiro dos bancos estatais e do orçamento da união e nunca pagaram suas dividas, que são sempre renegociadas a cada safra. Só em Pernambuco, os usineiros devem ao INSS mais de 562.641.612,54 bilhões de reais. Isso sem contar os empréstimos a bancos estatais não pagos e dívidas de outros impostos (...)"

(Alexandre Conceição - Brasil: de devedores a heróis)

 

 

 

foste, no mundo, mineiro
e cortaste cana demais.

e teu corpo,
forte árvore morena,
resolveram chamar pela brasileira e estranha alcunha:  José.

 José,
amaste três damas?
quiseste uma valsa?
creste em deus?
pactuaste com o cão?
fizeste um samba?
mataste um patrão?

 perdão, José: sou grosso, ignorante. por isso, pergunto.
sinto tua falta, como sinto de um irmão.
sinto tua falta.
sei que não sabes disso.
mas quero repetir-te:
sinto tua falta.

 sei que não me escutas.

 sinto tua falta
como sentirias, talvez, a falta de um poema
em que teu nome batia, tão comum como a cana que cai
levando consigo o trivial peso do universo.

 hoje, José, onde estás? será que poderias ouvi-lo?
sei que não.
estás longe, José, e não entendias de estrofes.

 e (não é curioso?) a tanta cana que cortaste
arde-me os dedos, pesa-me os olhos, perfura-me os rins.

 que fazer por esse José que já não pode mais?
nem mais podes, José, ouvir "e agora?"

 

(...)

(Alexandre Pilati - O mundo está coberto de cana)

poema feito em homenagem a José Mario Alves Gomes, cortador de cana da Usina Santa Helena, em São Paulo, que morreu em 21 de outubro de 2005, após cortar 25 toneladas de cana.

 

 

 

 

 

publicado por Adelina Braglia às 06:55

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