" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

06
Mar 07

 

Rachel Beauvoir Dominique, antropóloga, pesquisadora e professora da Universidade do Haiti e Didier Dominique, arquiteto, professor da Universidade do Haiti fazem um giro por 11 cidades brasileiras para expor a real situação das “tropas de paz” em seu país. Pretendem com isto garantir a retirada das tropas estrangeiras do país e por um fim ao saque do qual o Haiti é vítima. Os dois são militantes do movimento Batay Ouvriye - do krioulo, "Luta Operária".



(...) “Rachel Beauvoir Dominique começou seu giro em Fortaleza onde deu esta entrevista a ADITAL.

ADITAL: Qual o motivo desse giro pelas cidades brasileiras e qual sua expectativa?

Rachel Beauvoir Dominique: Agradeço por esta oportunidade de falar com os leitores da Adital e com os companheiros e companheiras da América Latina em geral. Nesta viagem estou com outro companheiro, Didiér Dominique, do movimento Batay Ouvriye - em crioulo, "Lucha Obrera", que é um movimento no Haití que tem muitas classes em seu seio: trabalhadores, jovens, mulheres, etc. Ele começa suas atividades pelas cidades do sul, Porto Alegre, Florianópolis, Curitiba, São Paulo, etc.
Falando sobre o Haití posso dizer que faz 10, 20 anos que, de forma diferente, estamos buscando alternativas para por um fim aos séculos de exploração nos campos e cidades do Haiti. Neste país vivem os mais pobres do mundo inteiro, os mais pobres em um país dos mais ricos, anteriormente, com a produção de açúcar, de arroz e outros produtos, tudo isso por causa de uma dominação secular.
O objetivo desta viagem é informar e também denunciar uma situação terrivel para nós, que é esta ocupação militar do Haití. Os governos dos países dominantes dizem que não é uma ocupação, e sim uma missão, uma ajuda da ONU, de estabilização. No Haití, por causa das dificuldades dos anos passados, pudemos ver muito claramente, há muitos anos, que as iniciativas dos países dominantes da ONU e dos governos, não têm realmente o objetivo de ajudar e cada vez que o fazem é para defender os interesses das classes dominantes do Haití e do imperialismo em geral.
Para nós, hoje, a situação é muito particular por causa do fato que a MINUSTAH (missão da ONU), tem, em seu comando, tropas e generais brasileiros. Não são diretamente os canadenses, os norte-americanos, ou os ranceses, os europeus, e sim a gente da América Latina: Argentina, Equador, El Salvador e Brasil.
Brasil com um governo eleito com muitos votos populares, é para nós um paradoxo. E essa missão não é para a ajuda tão necessária ao Haiti, como na saúde, na educação e nos elementos de desenvolvimento de um povo. É uma missão de dominação porque a população dos bairros populares são atacadas, mortos. Há uma situação muito, muito grave no Haiti hoje (...)”

http://www.adital.com.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=26574



publicado por Adelina Braglia às 10:37

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