" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

27
Fev 07

 

Quando a gente só olha o umbigo, perde de vista as imagens ao nosso redor.
Irritada que ando com o engodo do PAC (aliás, crescimento acelerado é doença combatida com dieta especial!) não atentei para a importância da nomeação do Paulo Nogueira Batista Jr como representante do Brasil no FMI.


O que chamou minha atenção foi o artigo do José Carlos Assis, do qual destaco um parágrafo:


É claro que uma instituição pesada como o Fundo, com sua larga burocracia e seus grandes tentáculos de informação estendidos sobre a economia internacional, acabará por encontrar um novo papel no mundo, que não seja apenas o de guardião de uma ortodoxia monetária e fiscal que só continua sendo aplicada por países fracassados. Nesse contexto, é muito importante que um social-desenvolvimentista como Paulo Nogueira seja nosso representante nele. Em algum momento, haverá de se iniciar uma discussão séria sobre ordem financeira internacional. Nesse momento, é importante que quem falará pelo Brasil não seja um desses ventríloquos dos interesses da banca privada internacional.”

(http://www.desempregozero.org.br/editoriais/social_fmi.php)



Mas, fui á caça aqui na minha biblioteca virtual de um artigo escrito pelo Paulo Nogueira em 2004, na Folha de São Paulo, onde ele destaca a importância das alianças “terceiromundistas”, ao comentar a visita do Presidente Lula a Índia.



Com a lucidez que lhe é qualidade permanente, Paulo Nogueira afirma:



“ Descontados os arroubos retóricos, normais em discursos presidenciais, Lula tem razão em frisar o caráter estratégico da parceria com a Índia. Ela constitui um dos principais elementos de uma política que busca fortalecer os laços econômicos e políticos com diferentes regiões do mundo, intensificar as relações Sul-Sul e atuar em conjunto com outros países em desenvolvimento para tornar os organismos internacionais mais representativos e mais independentes dos países desenvolvidos.

(...)

Não se trata obviamente de deixar em segundo plano as relações com os países desenvolvidos. Basta lembrar que os países da União Européia e os Estados Unidos responderam em 2003 por 25% e 23% das nossas exportações de mercadorias, respectivamente. O que se pretende é diversificar ainda mais a estrutura geográfica do comércio exterior brasileiro e usar as alianças com outros países em desenvolvimento, especialmente os de grande porte, para fazer valer os nossos interesses em negociações como as da OMC, da Alca e outras.

(...)
A dimensão bilateral talvez não seja a mais importante no nosso relacionamento com a Índia. Os indianos têm forte tradição de atuação independente nos organismos multilaterais. Nos anos 80, antes da derrocada que começou no final do governo Sarney e continuou nos governos seguintes, o Brasil e a Índia formaram uma importante aliança no Gatt (o antecessor da OMC), com o intuito de impedir que a rodada Uruguai beneficiasse de modo desproporcional os países desenvolvidos, contemplando temas do seu interesse e excluindo os de interesse de países em desenvolvimento. A defecção do Brasil, que acabou cedendo às pressões dos EUA e de outros países desenvolvidos, deixou a Índia praticamente isolada. Isso contribuiu para que os resultados finais da Rodada Uruguai, que desembocou na criação da OMC, fossem basicamente desfavoráveis para os países em desenvolvimento.”


Quanto a mim, é sempre bom lembrar que há lamparinas, e às vezes uma luminosa tocha, nos túneis.

publicado por Adelina Braglia às 14:10

Fevereiro 2007
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
13
14
15
17

18
20
21
23

25
26


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO