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Maravilhosas mulheres obscuras.

Quinta-feira, 11.01.07

 

Vive dentro de mim
uma cabocla velha
de mau-olhado,
acocorada ao pé do borralho,
olhando pra o fogo.
Benze quebranto.
Bota feitiço...
Ogum. Orixá.
Macumba, terreiro.
Ogã, pai-de-santo...

Vive dentro de mim
a lavadeira do Rio Vermelho.
Seu cheiro gostoso
d'água e sabão.
Rodilha de pano.
Trouxa de roupa,
pedra de anil.
Sua coroa verde de são-caetano.

Vive dentro de mim
a mulher cozinheira.
Pimenta e cebola.
Quitute bem feito.
Panela de barro.
Taipa de lenha.
Cozinha antiga
toda pretinha.
Bem cacheada de picumã.
Pedra pontuda.
Cumbuco de coco.
Pisando alho-sal.

Vive dentro de mim
a mulher do povo.
Bem proletária.
Bem linguaruda,
desabusada, sem preconceitos,
de casca-grossa,
de chinelinha,
e filharada.

Vive dentro de mim
a mulher roceira.
— Enxerto da terra,
meio casmurra.
Trabalhadeira.
Madrugadeira.
Analfabeta.
De pé no chão.
Bem parideira.
Bem criadeira.
Seus doze filhos,
Seus vinte netos.

Vive dentro de mim
a mulher da vida.
Minha irmãzinha...
tão desprezada,
tão murmurada...
Fingindo alegre seu triste fado.


Todas as vidas dentro de mim:
Na minha vida —
a vida mera das obscuras.
 
 
(Todas as vidas – Cora Coralina)

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Mantra da forgalha.

Quinta-feira, 11.01.07

 

No Meu Bazar de Idéias (Bazar Do Santos Passos, aí ao lado), gostei muito do post que transcrevo:

 

Nas aldeias de Portugal, mais do que nas vilas e cidades, o bom relacionamento com os vizinhos é de importância fundamental.
Daí, recolhi em Passos de Lomba este provérbio:

Que não dure mais
O mau vizinho
Do que a neve marcelina.


A neve marcelina é a neve do mês de março. Fraca, vai logo embora.

Propus a ele que se transformasse o verso em mantra, corrente na NET,  qualquer coisa a ser disseminada, bastando substituir o "mau vizinho" por "mau governo", seja ele de que esfera for.

O SP  aprovou a idéia, o que considero uma autorização. Daí, vamos lá!

Um pouco de fé em tempos bicudos não faz mal algum!

 

 

 

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Adelina Braglia às 14:16

Agora eu sou forgalha!

Quinta-feira, 11.01.07

 

Meu já quase amigo Paulo Sérgio Lopes Prazeres (que beleza este sobrenome!) contou que em Portugal usa-se a palavra forgalha, para as sobras de pão, os farelos que ficam sobre a mesa.
 
A palavra forte, sonora,  ficou ecoando na minha cabeça por muito tempo depois que saí do seu consultório. E continua aqui, circulando, pedindo mais do que apresenta-la a quem a desconhece.
 
Nós usamos migalhas ou farelos, e fica sempre a impressão de resto, de sobra. Forgalha não. Dá às migalhas uma dignidade incrível! Recebem um nome forte e pomposo, de quem tem vida própria.
 
Penso que foi isso que fez a palavra circular no meu sangue tanto tempo. Penso que como me sinto farelo dos meus sonhos, migalha dos meus projetos, ao descobrir que posso ser forgalha me deu um quê de dignidade!
 
Abração, Paulo. Sem dor.

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