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A 4 vozes.

Segunda-feira, 11.12.06

 

4 vozes negras.

4 negras vozes.

4 lindas vozes.

 Quarteto A 4 vozes. Um lindo quarteto.

Tathiana,  Jurema, Jussara e Doralice Otaviano.

 

 

 

Conheça as moças.

 http://www.aquatrovozes.com.br/principal.html

 

Ouça as moças.

http://www.youtube.com/watch?v=nvbN930Hh8o

 

 

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Recado pro Juca.

Segunda-feira, 11.12.06

 

Juca querido,

melhor é mergulharmos no Herberto. Densidade por densidade, que a boa poesia nos reabilite com a angústia e dane-se o Pondera:

 

Esta mão que escreve a ardente melancolia da idade
é a mesma que se move entre as nascenças da cabeça,
que à imagem do mundo aberta de têmpora
a têmpora
ateia a sumptuosidade do coração. A demência lavra
a sua queimadura desde os seus recessos negros
onde se formam as estações até ao cimo,
nas sedas que se escoam com a largura
fluvial da luz e a espuma, ou da noite e as nebulosas
e o silêncio todo branco.
Os dedos.
A montanha desloca-se sobre o coração que se alumia: a língua
alumia-se: O mel escurece dentro da veia
jugular talhando a garganta. Nesta mão que escreve afunda-se
a lua, e de alto a baixo, em tuas grutas
obscuras, essa lua
tece as ramas de um sangue mais salgado
e profundo. E o marfim amadurece na terra
como uma constelação. O dia leva-o, a noite
traz para junto da cabeça: essa raiz de osso
vivo. A idade que escrevo
escreve-se
num braço fincado em ti, uma veia
dentro da tua árvore. Ou um filão ardido de ponto a ponta
da figura cavada
no espelho. Ou ainda a fenda
na fronte por onde começa a estrela animal.
Queima-te a espaçosa
desarrumação das imagens. E trabalha em ti
o suspiro do sangue curvo, um alimento
violento cheio
da luz entrançada na terra. As mãos carregam a força
desde a raiz dos braços a força
manobra os dedos ao escrever da idade, uma labareda
fechada, a límpida ferida que me atravessa desde essa tua leveza
sombria como uma dança até
ao poder com que te toco. A mudança. Nenhuma
estação é lenta quando te acrescentas na desordem, nenhum
astro é tao feroz agarrando toda a cama. Os poros
do teu vestido.
As palavras que escrevo correndo
entre a limalha. A tua boca como um buraco luminoso,
arterial.
E o grande lugar anatómico em que pulsas como um lençol lavrado.
A paixão é voraz, o silêncio
alimenta-se fixamente de mel envenenado. E eu escrevo-te
toda no cometa que te envolve as ancas como um beijo.
Os dias côncavos, os quartos alagados, as noites que crescem
nos quartos.
É de ouro a paisagem que nasce: eu torço-a
entre os braços. E há roupas vivas, o imóvel
relâmpago das frutas. O incêndio atrás das noites corta
pelo meio
o abraço da nossa morte. Os fulcros das caras
um pouco loucas
engolfadas, entre as mãos sumptuosas.
A doçura mata.
A luz salta às golfadas.
A terra é alta.
Tu és o nó de sangue que me sufoca.
Dormes na minha insónia como o aroma entre os tendões
da madeira fria. És uma faca cravada na minha
vida secreta. E como estrelas
duplas consangüíneas,
luzimos de um para o outro
nas trevas.
 
(Herberto Hélder –  A carta da paixão)

 

 

Completando...

(...) E já nenhum poder destrói o poema.
Insustentável, único,
invade as órbitas, a face amorfa das paredes,
a miséria dos minutos,
a força sustida das coisas,
a redonda e livre harmonia do mundo.(...)

 (Herberto Hélder - O poema)

 

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Adelina Braglia às 12:50

Pra tirar o fôlego...

Segunda-feira, 11.12.06

 

 

... o  sol engolindo o rio.....

 

 

.... o rio bebendo  o sol ....

 

 

 

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Adelina Braglia às 00:11

Morreu Pinochet! E Victor e Neruda continuam vivos!

Domingo, 10.12.06

 

Lembro de Millor Fernades falando que a leitura dos necrológios dos jornais às vezes trazia uma boa notícia!

Esta é uma boa notícia!

 

CANTO PARA AS MÃOS PARTIDAS DE VICTOR JARA

 

 


Quisera chorar teus dedos dilacerados:
raízes do meu canto subterrâneo.

Quisera chamar-te “Hermano”
como a infância dos rios
lava o rosto da terra,

mas minha boca sangrava
um silêncio de canções amordaçadas.

De tuas mãos se dirá um dia:
geravam pássaros de sangue
como as primaveras da lua.

Tuas mãos,
tristes descendentes das canções araucanas,
tuas mãos mortas,
casa de canções decepadas,

tuas mãos rotas,
últimas filhas do vento,

guitarras enterradas sem canto,
sementes de fuzis,
seara de sangue.

Quisera entregar
minhas mãos inúteis
ao cepo de teus carrascos.

(Pedro Tierra)

 

 


http://www.apropucsp.org.br/revista/rcc01_r02.htm

 

 

 

E que o inferno receba também Pinochet!



 

Qual é o trabalho forçado
de Adolf Hitler no inferno?

Pinta paredes? Cadáveres?
Fareja o gás de suas vítimas?

Terá que ingerir as cinzas
dos meninos calcinados?

Ou desde sua morte há de
beber sangue num funil?

Ou lhe martelam na boca
os dentes de ouro arrancados?

Ou sobre arames farpados
lhe concederão dormir?

Vão ver sua pele tatuada
nos abajures de adorno?

Ou negros mastins de fogo
dele se incumbem no inferno?

Deve de noite e de dia
em trégua andar com seus presos?

Ou morrerá pouco a pouco
sob o mesmo gás eterno?

 

  
(Um cogito - Pablo Neruda)

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Adelina Braglia às 18:03

"...eu sei que a vida devia ser bem melhor e será..."

Domingo, 10.12.06

 

 

 

 

(...) " Há uma maneira simples, direta e segura de cortar gastos públicos de forma a garantir o crescimento anual de 5% anunciado pelo presidente Lula: basta demitir toda a cúpula do IPEA e, de quebra, alguns remanescentes da equipe de Palocci no Ministério da Fazenda. Não seria grande coisa a economia de dinheiro. Entretanto, ficaríamos aliviados do peso morto que representa esse núcleo neoliberal regressivo, plantado no coração do próprio Governo, amarrando o Brasil no compromisso com a recessão permanente e o desemprego.

O texto do IPEA segundo o qual o Brasil só poderá crescer a 5% ao ano “depois de 2017”, e assim mesmo dependendo de novas “reformas”, é um verdadeiro acinte diante do que o Presidente se propôs em sua campanha de reeleição. Mais do que isso, é uma bravata política de um punhado de técnicos arrogantes que, embora pagos pelo povo brasileiro, se sentem à vontade para trair os seus interesses mais elementares. São, na verdade, sócios tecnocratas do alto desemprego, e a serviço do capital financeiro especulativo e internacionalizado. " (...)

Núcleo de charlatães no coração do Governo - J. Carlos Assis

http://www.desempregozero.org.br/artigos/nucleo_charlataes.php



Apesar do protesto de J. Carlos Assis, o presidente assumiu a projeção do IPEA e já desdisse a previsão de crescimento de 5% em 2007, que afirmou possível na campanha eleitoral.

As estimativas da Pesquisa Mensal de Emprego, em outubro de 2006, também não são animadoras. Os números abaixo refletem a situação na Região Metropolitana de São Paulo - RMSP, a mais industrializada do país.

 

Especificação out/05 set/06 out/06

Pessoas Desocupadas 900 1.089 1.027
Pessoas Marginalmente Ligadas à PEA 408 344 370
Pessoas Desalentadas 16 16 21
Pessoas que Saíram do Último Trabalho no PR 365 Dias 783 889 905

 

Os números são em mil pessoas. Ou seja,  na RMSP, em outubro de 2006,  2.323.000 pessoas estavam desempregadas, sub-empregadas, sem ânimo para buscar trabalho ou  que perderam seu trabalho até 12 meses atrás.

O que é que eu tenho com isso  eu vou tentar esquecer, ouvindo Gonzaguinha cantar

 ..." mas isso não impede que eu repita é bonita...é bonita...é bonita..."

 

 

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Adelina Braglia às 00:15

A moça de agosto.

Sexta-feira, 08.12.06

 

Qual é o cerne da saudade?
Deve-se fazer silêncio, deixa-la dourar ao sol,
esperar o outono, para que no verão ela amadureça
qual manga verde?
Devemos ser discretas,
aprender a caminhar sem fazer ruído,
e a cantar entre-dentes,
para que os sons não saiam da boca?
É necessário ter uma tigelinha grafada em gramas,
daquelas que a mãe usava pra fazer bolos,
para saber ao certo a medida da saudade?
Não, não importune a moça com a sua saudade.
Pergunte-se primeiro o que contém a saudade.
Memórias, sons, risos, poemas, músicas,  palavras?
Quem disse que saudade é falta, ausência?
Não, a saudade se faz de plenitudes  pra ser melhor compreendida.
A moça lhe dá tantas lições e você não as aprende!
Diria a mãe: quem muito quer, nada tem.
Talvez. A mãe quase sempre tinha razão.
 
(22.08.2005)

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Adelina Braglia às 21:56

Pra quem vai e pra quem fica.

Sexta-feira, 08.12.06

 

E agora, José?
A festa acabou,
a luz apagou,
o povo sumiu,
a noite esfriou,
e agora, José?
e agora, você?
você que é sem nome,
que zomba dos outros,
você que faz versos,
que ama, protesta?
e agora, José?

Está sem mulher,
está sem discurso,
está sem carinho,
já não pode beber,
já não pode fumar,
cuspir já não pode,
a noite esfriou,
o dia não veio,
o bonde não veio,
o riso não veio,
não veio a utopia
e tudo acabou
e tudo fugiu
e tudo mofou,
e agora, José?

E agora, José?
Sua doce palavra,
seu instante de febre,
sua gula e jejum,
sua biblioteca,
sua lavra de ouro,
seu terno de vidro,
sua incoerência,
seu ódio – e agora?

Com a chave na mão
quer abrir a porta,
não existe porta;
quer morrer no mar,
mas o mar secou;
quer ir para Minas,
Minas não há mais.
José, e agora?

Se você gritasse,
se você gemesse,
se você tocasse
a valsa vienense,
se você dormisse,
se você cansasse,
se você morresse...
Mas você não morre,
você é duro, José!

Sozinho no escuro
qual bicho-do-mato,
sem teogonia,
sem parede nua
para se encostar,
sem cavalo preto
que fuja a galope,
você marcha, José!
José, para onde?

( José  -  Carlos Drummond de Andrade)

 

Neste site vocês ouvem Drummond  recitando  seu poema:

http://www.memoriaviva.com.br/drummond/poema022.htm

 

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Adelina Braglia às 12:47

Vamos ao awor!!!

Quinta-feira, 07.12.06

 

Foto com meio W

Inverter o M da palavra amor sugerindo que ele fosse um W, pareceu lógico. Muito lógico.
 
O M que aparentemente abraça na verdade tranca, contém. Sufoca.
 
O M coloca suas cercas, travas, barreiras, disfarçadas de contorno.
Tolhe o vôo.
 
O W também acolhe, mas abre-se, permite que entre o vão do colo e o infinito, o amor seja livre, “... enquanto dure.”
 
Taí.
 
Eu topo. O som? Não vai se alterar tanto. Amor, awor.
 
Que nos aguardem os editores do Houaiss e do Aurélio.
 
Esta sim é uma boa campanha!
 

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Adelina Braglia às 12:09

A lua de ontem.

Quarta-feira, 06.12.06

 

 

 

Ela estava tão bonita! Nenhuma névoa a encobria. Minha foto é que é péssima.

A "moldura" é o galho do pé de graviola do meu vizinho.

O que não foi captado na foto, foi a vontade de chorar  por me deixar sobrecarregar pelo cotidiano e ter visto muito menos luares do que eu merecia.

A música de fundo hoje não "brotou" espontaneamente. Foi escolhida, por solidariedade a mim mesma ou por castigo:  

 

 

Devia ter amado mais
Ter chorado mais
Ter visto o sol nascer
Devia ter arriscado mais
Até errado mais
Ter feito o que eu queria fazer
Queria ter aceitado as pessoas como elas são
Cada um sabe a alegria e a dor que traz no coração

O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar distraído
O acaso vai me proteger
Enquanto eu andar...

Devia ter complicado menos
Trabalhado menos
ter visto o sol se pôr
Devia ter me importado menos
Com problemas pequenos
Ter morrido de amor
Queria ter aceitado a vida como ela é
A cada um cabe alegrias e a tristeza que vier

O acaso vai me proteger (...)
 
 
 Epitáfio (Sérgio Britto - cantada  pelo Titãs)
 
 

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Arnaldo Antunes, de novo.

Terça-feira, 05.12.06

 

E eu, que vivo dizendo que os poetas já escreveram o essencial para todo o sempre, me esqueci disto e fiz um tratado aí embaixo.

Bastava ter ido buscar, de novo, o Arnaldo Antunes! Se quiserem com música, imaginem-se ouvindo Adriana Calcanhoto ou o próprio Arnaldo. Eu prefiro a gravação dele.

 

 

Saiba: todo mundo foi neném
Einstein, Freud e Platão também
Hitler, Bush e Saddam Hussein
Quem tem grana e quem não tem

Saiba: todo mundo teve infância
Maomé já foi criança
Arquimedes, Buda, Galileu
e também você e eu

Saiba: todo mundo teve medo
Mesmo que seja segredo
Nietzsche e Simone de Beauvoir
Fernandinho Beira-Mar

Saiba: todo mundo vai morrer
Presidente, general ou rei
Anglo-saxão ou muçulmano
Todo e qualquer ser humano

Saiba: todo mundo teve pai
Quem já foi e quem ainda vai
Lao-Tsé, Moisés, Ramsés, Pelé
Gandhi, Mike Tyson, Salomé

Saiba: todo mundo teve mãe
Índios, africanos e alemães
Nero, Che Guevara, Pinochet
e também eu e você

 

(Saiba)

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