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O canto de Hilda.

Sexta-feira, 01.12.06

 

Enquanto faço o verso, tu decerto vives.

Trabalhas tua riqueza, e eu trabalho o sangue.

Dirás que sangue é o não teres teu ouro

E o poeta te diz: compra o teu tempo.

 

Contempla o teu viver que corre, escuta

O teu ouro de dentro. É outro o amarelo que te falo.

Enquanto faço o verso, tu que não me lês

Sorris, se do meu verso ardente alguém te fala.

O ser poeta te sabe a ornamento, desconversas:

"Meu precioso tempo não pode ser perdido com os poetas".

Irmão do meu momento: quando eu morrer

Uma coisa infinita também morre. É difícil dizê-lo:

Morre o amor de um poeta.

E isso é tanto, que o teu ouro não compra,

E tão raro, que o mínimo pedaço, de tão vasto

 

Não cabe no meu canto.

 

 

(Hilda Hilst - Poemas aos Homens do nosso Tempo – XVI)

 

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Toca aqui, mas não toca aqui.

Sexta-feira, 01.12.06

 

 

Não toca aqui porque não sei colocar, mas toca aqui  onde posso ouvir.

 

 

Pra ser sincero eu não espero de você mais do que educação,
Beijos sem paixão,
crimes sem castigo,
aperto de mãos
Apenas bons amigos...

Pra ser sincero eu não espero que você minta
Não se sinta capaz de enganar
Quem não engana a si mesmo

Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito,
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos

Pra ser sincero eu não espero de você mais do que educação
Beijos sem paixão,
crimes sem castigo,
Aperto de mãos,
apenas bons amigos...

Pra ser sincero não espero que você me perdoe
Por ter perdido a calma
Por ter vendido a alma ao diabo

Um dia desses, num desses encontros casuais
Talvez a gente se encontre,
Talvez a gente encontre explicação
Um dia desses num desses encontros casuais
Talvez eu diga, minha amiga,
Pra ser sincero... prazer em vê-la
Até
mais...

Nós dois temos os mesmos defeitos
Sabemos tudo a nosso respeito
Somos suspeitos de um crime perfeito
Mas crimes perfeitos não deixam suspeitos.

 

(Pra ser sincero - Humberto Gessinger)

 

 

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Adelina Braglia às 16:03

Pra desintegrar a melancolia e alegrar a sexta-feira!

Sexta-feira, 01.12.06

 

Esta está tocando de verdade. Não é na radiola da cabeça!
 
 
Desmaterializando a obra de arte do fim do milênio
Faço um quadro com moléculas de hidrogênio
Fios de pentelho de um velho armênio
Cuspe de mosca, pão dormido, asa de barata torta

Teu conceito parece, à primeira vista,
Um barrococó figurativo neo-expressionista
Com pitadas de arte nouveau pós-surrealista
Ao cabo da revalorização da natureza morta

Minha mãe certa vez disse-me um dia,
Vendo minha obra exposta na galeria,
"Meu filho, isso é mais estranho que o cu da gia
E muito mais feio que um hipopótamo insone"

Pra entender um trabalho tão moderno
É preciso ler o segundo caderno,
Calcular o produto bruto interno,
Multiplicar pelo valor das contas de água, luz e telefone,
Rodopiando na fúria do ciclone,
Reinvento o céu e o inferno

Minha mãe não entendeu o subtexto
Da arte desmaterializada no presente contexto
Reciclando o lixo lá do cesto
Chego a um resultado estético bacana

Com a graça de Deus e Basquiá
Nova York, me espere que eu vou já
Picharei com dendê de vatapá
Uma psicodélica baiana

Misturarei anáguas de viúva
Com tampinhas de pepsi e fanta uva
Um penico com água da última chuva,
Ampolas de injeção de penicilina

Desmaterializando a matéria
Com a arte pulsando na artéria
Boto fogo no gelo da Sibéria
Faço até cair neve em Teresina
Com o clarão do raio da siribrina
Desintegro o poder da bactéria

Com o clarão do raio da siribrina
Desintegro o poder da bactéria
 
(Bienal - Zeca Baleiro e Zé Ramalho)
 

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Adelina Braglia às 13:21

Sobre arquivos inúteis e santos idem.

Sexta-feira, 01.12.06

 

Hoje eu “indormi”, pois amanheci junto com o dia, acordada que estou desde as 2 horas da manhã, depois de tomar o chá e o comprimido – pra garantir - e me deitar cedo acreditando, animadamente, que teria uma ótima noite de sono.
 
Como estou na fase de ser zen, não cortei os pulsos de raiva e diligentemente aproveitei o tempo “extra” para arrumar o micro, já que no momento não precisava arrumar gavetas para distrair, que elas andam arrumadas. As de roupas, não as da cabeça.
 
Comecei pelo arquivo de músicas. Foi agradável. Ouvi algumas que não ouvia há tempos e exclui as que não me interessam e que nem lembrava porque as havia incluído. Um monte delas.
 
Deletei textos que não vou terminar nunca, alojados numa sub-pasta apropriadamente chamada “Para revisão”. Chamava-se, porque eu joguei foi a pasta inteira na lixeira. Junto com textos de trabalho, lá se foram sensações, emoções e sentimentos inacabados. Caramba! Isso teria dado um rótulo interessante para a pasta que foi pro lixo!
 
Limpei o correio eletrônico. Sabe aqueles clips de notícias, que você assina – gratuitamente, á claro - e recebe 10 ou 12 por dia, cada um contendo de 20 a 30 informes, porque você presume – sabe-se lá! - ser importante você recapitular quando foi que o governo Lula fixou em 5% a estimativa de crescimento do PIB em 2007 - durante a campanha eleitoral – e quando ele fez uma ligeira revisão - após a eleição - e agora prevê 3,5%
 
Aí, uma madrugada “indormida” leva você a assumir – só entre você e o teclado – que esse tipo de informação não serve pra p.... nenhuma na sua vida e que se ela fica guardada ali porque você é que se considera analista dos atos divinos e questões correlatas? E que esse é o único motivo que faz você guardar uma notícia destas no arquivo do seu computador - porque não seria a mesma coisa ir buscar lá no Google ou no site do IPEA - caso Deus lhe acionasse para uma mesa redonda sobre a economia brasileira e suas perspectivas? Conclusão? Lixeira.
 
Fotos. Também entraram na limpeza. Sabe aquela imagem que você achou genial capturar? O carro de boi ou aquela boiada disputando espaço no asfalto com o caminhão imenso carregado de carvão? E que quando você olha para ela depois de 8 ou 10 meses que a fez, pensa: que droga de fotografia é essa? Acertou: lixeira.
 
Assim fui eu, madrugada adentro, e lá pelas 5 horas, antes de descer e fazer um café, recorri sim ao Google,  já que a essa hora eu estava era triste, para descobrir que Santo Ambrósio de Milão – sim, porque há outros Ambrósios, inclusive o meu Santo Ambrósio particular – tem uma frase célebre e nada original:
 
Ninguém cura a si próprio ferindo outro
 
 
Não. Não salvei a frase em arquivo algum. Ela ficou só aqui mesmo.
 
 
Não, não sei a capacidade da minha cabeça em gigabytes. Sei que no momento suporto apenas arquivos com menos de 2.000 kb.
 

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Adelina Braglia às 09:28


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