" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

27
Nov 06

 

que tivesse um blue. 
isto é 
imitasse feliz a delicadeza, a sua, 
assim como um tropeço 
que mergulha surdamente 
no reino expresso 
do prazer. 
Espio sem um ai 
as evoluções do teu confronto 
à minha sombra 
desde a escolha 
debruçada no menu; 
um peixe grelhado 
um namorado 
uma água 
sem gás 
de decolagem: 
leitor embevecido 
talvez ensurdecido 
"ao sucesso" 
diria meu censor 
"à escuta" 
diria meu amor

(Ana Cristina Cesar - Um beijo)

 

(*) sim, que aqui ainda é domingo. Eu é que não consigo acertar este relógio do sapo!!!

publicado por Adelina Braglia às 01:52

26
Nov 06

 

... é que, acima de tudo, esta é Beatriz.

 

Mito em pedra eu me fiz,

medo e morte eu desfiz

Por quê?

Minha musa Beatriz nosso mundo é sempre um X

Por quê?"

(Bia, Bia, Beatriz – Ivan Lins e Ronaldo Souza)

 

 

 

publicado por Adelina Braglia às 23:19

 

 

" Organizações da sociedade civil, movimentos sociais, entidades ambientalistas e indígenas divulgam nota na qual repudiam as declarações dadas pelo Presidente da República, em Barra do Bugres (MT), no dia 21 de novembro, de que as questões dos índios, quilombolas, ambientalistas e Ministério Público travam o desenvolvimento do País(...)"

 

Manifestação cultural da comunidade remanescente de quilombos de Camiranga.

Cachoeira do Piriá, Pará, Brasil.

 

Excerto de poema de Bruno de Menezes

 

publicado por Adelina Braglia às 18:57

 

Um dia para lembrar, protestar e mobilizar contra a violência à mulher.

Definido no I Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado em 1981, em Bogotá, Colômbia, o 25 de Novembro é o Dia Internacional da Não-Violência contra a Mulher. A data foi escolhida para lembrar as irmãs Mirabal (Pátria, Minerva e Maria Teresa), assassinadas pela ditadura de Leônidas Trujillo na República Dominicana.

Em 25 de novembro de 1991, foi iniciada a Campanha Mundial pelos Direitos Humanos das Mulheres, sob a coordenação do Centro de Liderança Global da Mulher,que propôs os 16 Dias de Ativismo contra a Violência contra as Mulheres, que começam no 25 de novembro e encerram-se no dia 10 de dezembro, aniversário da Declaração Universal dos Direitos Humanos, proclamada em 1948. Este período também contempla outras duas datas significativas: o 1o de Dezembro, Dia Mundial da Luta contra a AIDS e o dia 6 de Dezembro, Dia do Massacre de Montreal (leia mais sobre o 6 de Dezembro).

Em março de 1999, o 25 de novembro foi reconhecido pelas Nações Unidas (ONU) como o Dia Internacional pela Eliminação da Violência contra a Mulher.
Fonte: Rede Feminista de Saúde, RedeFax, 26/ 2003.
 
 
 

Eu que a levei ao rio,
pensando que era donzela,
porém tinha marido.

Foi na noite de Santiago
e quase por compromisso.
Apagaram-se os lampiões
e acenderam-se os grilos.
Nas últimas esquinas
toquei seus peitos dormidos,
e se abriram prontamente
como ramos de jacintos.
A goma de sua anágua
soava em meu ouvido
como uma peça de seda
rasgada por dez punhais.
Sem luz de prata em suas copas
as árvores estão crescidas,
e um horizonte de cães
ladra mui longe do rio.

Passadas as sarçamoras,
os juncos e os espinhos,
debaixo de seus cabelos
fiz uma cova sobre o limo.
Eu tirei a gravata.
Ela tirou o vestido.
Eu, o cinturão com revólver.
Ela, seus quatro corpetes.
Nem nardos nem caracóis
têm uma cútis tão fina,
nem os cristais com lua
reluzem com esse brilho.
Suas coxas me escapavam
como peixes surpreendidos,
a metade cheias de lume,
a metade cheias de frio.
Aquela noite corri
o melhor dos caminhos,
montado em potra de nácar
sem bridas e sem estribos.
Não quero dizer, por homem,
as coisas que ela me disse.
A luz do entendimento
me faz ser mui comedido.
Suja de beijos e areia,
eu a levei do rio.
Com o ar se batiam
as espadas dos lírios.

Portei-me como quem sou.
Como um cigano legítimo.
Dei-lhe um estojo de costura,
grande, de liso palhiço,
e não quis enamorar-me
porque tendo marido
me disse que era donzela
quando a levava ao rio.
 
(Garcia Lorca - A casada infiel)

publicado por Adelina Braglia às 18:06

 

Foto: Rosa Almeida

 


as nuvens foram inventadas no séc. XIX
para ornamentar o céu dos românticos
antes, eram só instrumentos de chuva
(à exceção do pórtico do Parnaso)
e não pairavam como agora ao bel-prazer
de olhares nunca dantes.
serão talvez banidas no futuro
em prol da sanidade desta esfera
no qual giramos por esporte & êxtase
(só restarão dispersos exemplares
no céu do Museu Britânico)

(Geraldo Carneiro – Poema sem título, Pandemônio)





Amanhã de manhã vou ler no jornal,
que numa estranha caverna,
entre nuvens,
uma mulher suicidou.

E na notícia,
porque é minha a ficção,
se informará, por mera presunção da verdade,
que a suicida assim não o queria ser.

Apenas, dançara até morrer.

Mas, isto não inventarão:


seu vestido era lilás.

e ela apertava na mão

um papel  onde se lia,

escrito em letra miúda:

minha menina se foi ao mar

a contar ondas e pedrinhas...

Mas haverá mentirosas deduções sobre a música que a levou à exaustão.

publicado por Adelina Braglia às 02:48

25
Nov 06

 

...minha resposta ao seu e-mail ficou longe, muito longe da poesia.

Mas botei  aqui, pra você, a cor do sonho da Adélia.

E o meu abraço. De amiga, irmã e comadre

(dê um beijo na minha afilhada) 

 

Eu tive um sonho esta noite que não quero esquecer
por isso o escrevo tal qual se deu:
era que me arrumava para a festa onde eu ia falar.
O meu cabelo limpo refletia vermelhos,
o meu vestido era num tom de azul, cheio de panos, lindo,
o meu corpo era jovem, as minhas pernas gostavam
do contato da seda. Falava-se, ria-se, preparava-se.
Todo movimento era de espera e aguardos, sendo
que depois de vestida, vesti por cima um casaco
E colhi do próprio sonho, pois de parte alguma
eu a vira brotar, uma sempre-viva amarela,
que me encantou por seu miolo azul, um azul
de céu limpo sem as reverberações, de um azul
sem o z, que o z nesta palavra nunca tisna.
Não digo azul, digo bleu, a idéia exata
da sua seca maciez. Pus a flor no casaco
que só para isto existiu, assim como o sonho inteiro.
Eu sonhei uma cor.
Agora sei.
 
(Um sonho – Adélia Prado)

 

 

publicado por Adelina Braglia às 12:49

24
Nov 06

Tempo-destino,  é hoje a canção que amanheceu no rádio da minha cabeça, mudo há alguns dias.

Começo a me achar esperta - justiça se faça a Ana, a Patrícia  e ao Pondera! -aprendendo a entender como funciona o meu fundo musical.

É tão óbvio!!!

 

Há entre o tempo e o destino um caso antigo, um elo, um par
Que pode acontecer, menino, se o tempo não passar?
Feito essas águas que subindo
Forçaram a gente a se mudar
Que pode acontecer, meu lindo, se o tempo não passar?
O tempo é que me deu amigos e esse amor que não me sai
Que doura os campos de trigo e os cabelos de meu pai
Faz rebentar as paixões
Depois se entrega às criações
E assim mantém a vida...
Que acontecerá aos corações se o tempo não passar?...
Não mato o meu amor primeiro
Porque tenho amizade nele
Que já faz parte do meu mundo
O tempo entre eu e ele...
(Nilson Chaves e Vital Lima)

 

publicado por Adelina Braglia às 12:25

 

... nada como o Choro bandido:

 

Mesmo que os cantores sejam falsos como eu
serão bonitas, não importa, são bonitas as canções
Mesmo miseráveis os poetas os seus versos serão bons
Mesmo porque as notas eram surdas quando um deus sonso e ladrão
Fez das tripas a primeira lira que animou todos os sons
E daí nasceram as baladas e os arroubos de bandidos como eu
Cantando assim: você nasceu para mim
Você nasceu para mim

Mesmo que você feche os ouvidos e as janelas do vestido
Minha musa vai cair em tentação
Mesmo porque estou falando grego com sua imaginação
Mesmo que você fuja de mim por labirintos e alçapões
Saiba que os poetas como os cegos podem ver na escuridão


E eis que, menos sábios do que antes
os seus lábios ofegantes hão de se entregar assim:
Me leve até o fim, me leve até o fim
Mesmo que os romances sejam falsos como o nosso
São bonitas, não importa, são bonitas as canções
Mesmo sendo errados os amantes
Seus amores serão bons


(Chico Buarque – Edu Lobo)

 


publicado por Adelina Braglia às 03:05

23
Nov 06

 

Promete deixar que eu imagine que os poemas e as músicas são para mim.
Promete alimentar, vez em quando, meus sonhos, minhas infantilidades, minhas fantasias.
Afaga com poemas e músicas a minha loucura.
Doce loucura que vai me levar a vida
e isto vai ser rápido.

Já aprendi, e agora sempre testo, irracionalmente,
que nada é mais forte que o desejo,
- até e principalmente -
de navegar para chegar alhures
ou o do salto para o abismo, sem asas.

E anota nas nossas correspondências
- que fizeram de mim uma mulher melhor e uma melhor amante -
nem que seja num irônico post scriptum, que quero isto.
Que é um projeto - logo eu que sempre me gabei de viver à deriva!

Não quero tempo para aprender lições de bem ou de mais viver.
Ternamente, poeticamente, musicalmente, te proponho:
vamos sentir o cheiro doce-ácido dos amores maduros.
Eles cheiram a camélias, não a jasmins.



(*) licença poética em homenagem a Lennon e McCartney.
publicado por Adelina Braglia às 20:03

 

 

Ai, que eu odeio recados, especialmente os mal dados,

nem que não sejam pra mim.

Ai, que eu odeio saudades, distâncias, abraços desperdiçados

nas mãos estendidas no ar.

Ai, que eu odeio que me mostrem o caminho,

quando eu quero é me perder.

Ai, que eu odeio a “sina”, a sorte, o azar.

Ai, que tantos ais significam exatamente o que são.

 

(*) abaixo, é Dolores Duran  

 Ai, a rua escura, o vento frio
Essa saudade, esse vazio
Essa vontade de chorar.

Ai, tua distância tão amiga
Essa ternura tão antiga
E o desencanto de esperar.

Sim, eu não te amo porque quero.
Ah, se eu pudesse esqueceria.

Vivo, e vivo só porque te espero.
Ai, esta amargura, esta agonia.

(Ternura antiga)  

 

publicado por Adelina Braglia às 17:37

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