" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

27
Nov 06

 

... porque no meu blog a Semana da Consciência Negra vai até o dia que  me apetecer....

 

Por mais profunda e determinante que seja a influência do sistema de produção na criação da cultura, recuso-me a acreditar que bastará possuirmos uma indústria pesada e vivermos livres de qualquer imperialismo econômico para que desapareçam as nossas distinções.

(Octávio Paz)

 

 

Todo mundo tem direito à igualdade quando a diferença não discrimina. Todo mundo tem direito à diferença quando a igualdade não dá conta.

(Boaventura de Souza Santos)

publicado por Adelina Braglia às 19:08

 

Lembrei dos bordados delicados que minha mãe insistia que eu aprendesse.
Eu, talvez porque esse era meu único “poder” contra ela, recusava-me a fazer. Ou melhor: fazia-os propositalmente mal feitos. Embora me desagradasse muito ver os pontos em desalinho, uns apertados e outros frouxos, eu os fazia assim. Para provocá-la.
Os bordados devem ter povoado algum sonho recente, pois não há porque me lembrar deles à toa. Mas, faço agora associações - estas sim, devem estar presas na minha arrogante vontade de sempre saber quem, porque e o que sou, ao invés de ser – e me vejo bordando e rebordando a vida, apertando demais os “pontos” ou afrouxando-os a ponto de perderem a forma e a nitidez.
Quando a mãe me fazia desmanchar o bordado para corrigir o mal feito, atravessava a rua e ia à casa da madrinha. Pacientemente ela desfazia os pontos para mim e suas mãos pareciam mágicas de tão ágeis. Depois ela subia a pequena escada que dava para a cozinha e fazia “pão chiado”. Ela os chamava assim porque o barulho da manteiga, derretendo na frigideira, fazia um chiado leve.
E ali, sentada na escada, ouvindo o chiado do pão na frigideira e sentindo o cheiro gostoso, eu refazia rapidamente o bordado. Sem dor, sem raiva.
De repente, desfaço a compreensão inicial: talvez eu não pretendesse provocar a mãe. Talvez eu quisesse apenas uma boa desculpa para atravessar sempre a rua e ter o carinho expresso da madrinha, escancarado no abraço de sempre, no desfazer dos nós, no cheiro do pão e no calor da manteiga.
E como esta sessão explícita de terapia é das mais honestas que já fiz, queria hoje voltar à escada, refazer os nós, sentir o cheiro do pão chiado e dizer a ela da saudade dos seus olhos doces e da sua imensa ternura de me ensinar a desfazer os nós e a refaze-los com a beleza que eu era capaz, para que eu compreendesse sem castigos ou discursos que a vida podia ser bordada caprichosamente.

Um beijo, madrinha. Sinto falta das suas mágicas mãos.

publicado por Adelina Braglia às 11:13

 

 

Quero só que o sono venha rápido e desligue a minha voz
que cantarola  Cartola:
 
“...solte o teu som da madeira
eu, você e a companheira
na madrugada iremos pra casa
cantando......”
publicado por Adelina Braglia às 02:42

 

que tivesse um blue. 
isto é 
imitasse feliz a delicadeza, a sua, 
assim como um tropeço 
que mergulha surdamente 
no reino expresso 
do prazer. 
Espio sem um ai 
as evoluções do teu confronto 
à minha sombra 
desde a escolha 
debruçada no menu; 
um peixe grelhado 
um namorado 
uma água 
sem gás 
de decolagem: 
leitor embevecido 
talvez ensurdecido 
"ao sucesso" 
diria meu censor 
"à escuta" 
diria meu amor

(Ana Cristina Cesar - Um beijo)

 

(*) sim, que aqui ainda é domingo. Eu é que não consigo acertar este relógio do sapo!!!

publicado por Adelina Braglia às 01:52

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