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Cores, nomes (título roubado do Caetano Veloso).

Quarta-feira, 22.11.06

 

 
Hoje não me apetece ir trabalhar. Mas vou. Daqui a pouco. Mais um pouco.
Como a amiga me diz que pintou até alta madrugada - ou esculpiu seu oratório, não sei ao certo - pego-me agora imaginando que gostaria de pintar as pessoas. Colori-las. Literalmente. Para identifica-las a distancia e não me desperdiçar com enganos.
Para algumas já tenho cor definida:
 
 
 

R., um arco-iris.

 

M., verde-água, para combinar. E rimar.

 

A., cor-de-rosa, com todos os seus símbolos.

 

M., branco, que aqui desapareceria, é a paz no meio da minha guerrilha.

 

I., vermelho, passional, infantil. O vermelho que a criança rabisca com giz de cera. Cor fisiológica criada pelo meu olhar.

 

B., farol de milha, amor perpétuo. Amiga, sem adjetivo.

 

S., azul. Muito azul. Sua cor de “fundo”.

 

D., azul também. Mas o azul “natche”, como chamava a madrinha ao azul quase marinho.

 

M., amarelo lhe cabe tão bem! A mistura que esconde o vermelho.

 

 

 

Para a Bia não encontro cor. Ela é música.

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Ovo Kinder 2 (*)

Quarta-feira, 22.11.06

 

confundo os dias fastos e nefastos.
sou sempre o mesmo, mesmo não querendo.
vário, talvez, mas conhecendo o estilo com que desfilo,
os filamentos que se esgarçam
as graças de que desfruto
o usufruto desta vida cheia de bem e de mal
 
tenho por céu o que não me pertence
o que paira no ar sem que eu perceba.
por inferno? talvez esta estrutura em que me confino,
sempre à revelia.
um dia hei de ser múltiplo de mim
do fim até o princípio
deixarei de ser esse mercado persa
minha alma enfim se encontrará comigo
ou vice-versa
 
 
(Física e metafísica – Geraldo Carneiro)
 
 
(*) para a Ana, expressando minha confiança na sua perseverança  e competência em me manter no meio do salto.
 

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Adelina Braglia às 11:56

Ovo Kinder.

Quarta-feira, 22.11.06

 

Como tudo no Brasil - do neoliberalismo, passando pela boa música européia - os ovos Kinder chegaram com atraso. No final da década de 70, acredito.

Meu filho mais velho era ainda criança, e a diversão era por mim compartilhada quando comprávamos um. Sinceramente, a diversão maior era minha. A ele interessava o chocolate e o brinquedo montado. A mim,  a ansiedade para ver qual seria a surpresa daquela vez e de testar a minha "inabilidade" manual.

No geral, quem montava as "surpresas" era Rosa e sua atávica paciência e perseverança. Para mim,  apesar do prazer contido no ato da tentativa de montagem, prevalecia sempre a impaciência.

Simbolicamente, o ovo Kinder representava  o que sempre deveriam ser as surpresas.  Nunca o oco estaria oco. Nunca haveria algo desagradável como conteúdo. As peças eram sempre muito bem acabadas, coloridas, macias.

Aqui, as caixinhas internas eram transparentes, sem graça. Pelo menos naquele período. Na Europa, sei que eram coloridas. Amarelas, parecendo verdadeiras gemas de ovo!

Mas, o que encantava, aqui no país da imperfeição e das coisas mal acabadas - inclusive a democracia - eram os encaixes: nada de força, nem de arestas ásperas. Bastava jeito e ..pimba!...... dava para "ouvir" a suavidade com que as peças se encaixavam.

A fina casquinha de chocolate lembrava imediatamente a hóstia -  eu e meus pervertidos traumas da péssima formação de colégio de freiras - mas isso não me roubava o prazer de sentir, nas mãos e na boca, a suavidade do chocolate especialmente preparado (quase escrevo "adredemente" preparado!).

Hoje não procuro os ovos Kinder. Maurício cresceu e não se interessa por eles. Bruno, o filho mais novo não os curtia tanto assim, e Beatriz, a neta que eu mereço, não é aficcionada por chocolates. Mas, poderia até comprá-los para mim se, aqui onde o sol nunca se põe, o produto não DERRETESSE  nas prateleiras.

Faz sentido agora esta lembrança, aparentemente incompreensível ao acordar: o ovo Kinder e  sua simbologia.

Querer boas surpresas sempre e ter que compreender e aceitar que meu projeto profissional e de vida derrete dia após dia. Como se se desmanchasse sob o efeito do brutal calor. Como os ovos Kinder,  tão imperfeitos aqui nas prateleiras, com as marcas de dedos que os amassam sem cuidado, sem perceber sua fragilidade e delicadeza.

 

 

 

 

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Adelina Braglia às 10:34


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