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Vôo raso.

Sexta-feira, 08.09.06
No abnoxio, encontro o aceite para a  liturgia do pecado. Lembro imediatamente de Adélia Prado e prometo ao meu amigo que assim que eu recuperar minhas asas de anjo, voarei sobre o Atlântico!
Abraço forte, Ademar.
 
Antigamente, em maio, eu virava anjo.
A mãe me punha o vestido, as asas,
me encalcava a coroa na cabeça e encomendava:
"Canta alto, espevita as palavras bem."
Eu levantava vôo rua acima.
 (Verossímel - Adélia Prado)
 

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Adelina Braglia às 01:18

O aniversário da pátria.

Quinta-feira, 07.09.06

Um amigo, nascido em 7 de setembro, quando era criança pensava que a parada militar, os desfiles escolares, a banda, a alegria nas ruas, eram em sua homenagem. Frustrou-se quando entendeu que eram homenagens à independência do Brasil.

Ele é poeta. Hoje acordei pensando em telefonar e dizer-lhe que retome a sua ingênua compreensão da festa.  E que me sinto  melhor olhando a pátria como coadjuvante do seu aniversário do que assisti-la como cenário de tanta indignidade.

Vamos ao Vinícius:

 

A minha pátria é como se não fosse, é íntima
Doçura e vontade de chorar; uma criança dormindo
É minha pátria. Por isso, no exílio
Assistindo dormir meu filho
Choro de saudades de minha pátria.

Se me perguntarem o que é a minha pátria direi:
Não sei. De fato, não sei como, por que e quando a minha pátria
Mas sei que a minha pátria é a luz, o sal e a água
Que elaboram e liquefazem a minha mágoa
Em longas lágrimas amargas.

Vontade de beijar os olhos de minha pátria
De niná-la, de passar-lhe a mão pelos cabelos...
Vontade de mudar as cores do vestido (auriverde!) tão feias
De minha pátria, de minha pátria sem sapatos e sem meias
pátria minha tão pobrinha!

Porque te amo tanto, pátria minha, eu que não tenho
Pátria, eu semente que nasci do vento
Eu que não vou e não venho, eu que permaneço
Em contato com a dor do tempo, eu elemento
De ligação entre a ação o pensamento
Eu fio invisível no espaço de todo adeus
Eu, o sem Deus!
(...)
(Pátria minha - Vinícius de Moraes)

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Adelina Braglia às 10:46

A neve do urso ou a casca da ostra.

Quarta-feira, 06.09.06
Ai, que me cansa a dança da minha aflição de viver e de acordar pela manhã e, às vezes, até de respirar!
 
Poderíamos ter nascido com mecanismos simples de hibernação sem dor. É certo que aqui  não há neve, como a que acolhe os ursos, mas há rios e igarapés, de águas dóceis e frias, capazes de abrigar qualquer vivente que precise de descanso, silêncio e paz.
 
Em dias como hoje, sinto vontade de colo. O colo do pai. Que com o colo dava o afago das mãos e das palavras. Palavras que amenizavam o baque fosse ele do corpo ou da alma. O joelho esfolado doía menos e a alma ferida encontrava acolhimento.
 
Escrevendo agora percebo que meu desejo cifrado é hibernar no colo do pai. Como se ele, ressuscitado, pudesse curar com as mãos esta aflição de eu não querer ir a lugar algum, de não ter vontade de falar com ninguém – e falar é meu ofício!!! – ou de salvaguardar objetivos, fantasia, ações, projetos, seja lá o que for.
 
A música da cabeça hoje já indicava este mal estar. Eu não queria ouvi-la. A música acordou comigo, me impôs na cabeça um incomodo fundo musical e diz:
 
“... ai, meu amor para sempre nunca me conceda descansar. Pai, o tempo vai virar, meu pai, deixa me carregar o vento ..”
 
A música é do Chico, para o filme A ostra e o vento.
 

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Adelina Braglia às 18:38

No Brasil.

Quarta-feira, 06.09.06

 No Brasil, milhares de pessoas permanecem presas, sem julgamento, alguns até com a provável pena já cumprida ou extinta. Outros, estão presos por engano.

No Brasil, parlamentares cujo envolvimento em esquemas escabrosos de corrupção, estelionato e crime organizado, sem contar aqueles cujo patrimônio pessoal não se explica sob nenhuma hipótese, são candidatos à reeleição, e têm a garantia do Tribunal Superior de que ninguém terá sua candidatura suspensa até a sentença definitva, além de terem a proteção de foros privilegiados para julgamento.
No Brasil, transitam alguns dos homens mais ricos do mundo e alguns dos mais miseráveis do planeta.
No Brasil, a péssima qualidade do ensino - e não só do ensino público - induz jovens a concluírem o ensino médio semi-analfabetos. Se não "das letras", com certeza "do pensamento". Na escola não se promove a independência do saber, não se cultiva a formação de opinião. Ou seja, não se forma cidadãos.
No Brasil, praticamente a mesma proporção de pessoas sem abastecimento de água tratada, e/ou sem orientação  para o destino de dejetos e do lixo, vive subalimentada. Seus filhos crescerão com deficiências múltiplas, físicas e mentais, porque científicamente está comprovado que os danos causados à formação geral, em crianças com subnutrição até os 4 anos de idade, são insanáveis e irreversíveis. A fome é a causa do atraso escolar, da baixa capacidade de compreensão, além do retardamento do crescimento, da ocorrência da cegueira, etc.
E ouço o candidato a presidente dizer que no seu próximo mandato todas as cidades polo do país terão escolas técnicas e universidades.
E ouço a candidata ao governo local, do mesmo partido do presidente, dizer que no seu mandato todas as famílias terão água tratada, meta inalcançável mesmo em 3  mandatos de governos que tenham efetivamente compromisso com a saúde e o saneamento.
No Brasil há pessoas que gostariam muito de acreditar que foram capazes de fazer a diferença para um país melhor. Eu era uma delas.
Meu aprendizado para a humildade, para a aceitação de que não fiz diferença alguma,  tem tido um preço muito, muito alto. E este preço é medido diariamente pela desesperança. Uma palavra dúbia, pois entre o des-esperar e a falta de esperança, há um perigoso vácuo que se chama desalento.

 

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Adelina Braglia às 11:38

Pra Sotavento.

Terça-feira, 05.09.06

A  música  que eu mandei,

pra comemorar setembro,

daqui, de onde o vento soprava,

- à barlavento, é verdade -

a Sotavento estranhou!!

Expliquei o que podia,

fiz enorme confusão,

bagunçando o sentido

da  tristeza, da saudade,

da melancolia e da razão.

E agora, publicamente,

digo o que não lhe disse:

não sei, Sotavento querida,

se há tantas diferenças

entre a tristeza da ausência

e o vazio da presença

da  paixão!

 

 

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Paneiros tristes.

Terça-feira, 05.09.06

Apesar do colorido intenso da sua carga,  os paneiros de açaí sempre me traziam uma aflição que eu não conseguia explicitar. Quando assisti  O carteiro e o poeta, a definição "...redes  tristes"  me remeteu ao sentimento para o qual eu não encontrara definição: paneiros tristes.

Continuo me incomodando com esta tristeza que paira sobre frutos tão coloridos. Paneiros tristes, acumulando sobre o tom violeta dos frutos o suor de quem os carrega para o porto, para a rua, para o porto, para rua, num moto contínuo de cansaço e desesperança.

 

 

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Adelina Braglia às 03:57

O Brasil pela vidraça.

Sexta-feira, 01.09.06

" Com a proximidade das eleições, a corrida para ampliar o número de beneficiados pelo Bolsa Família está em ritmo acelerado. Os pagamentos destinados às "transferências de renda com condicionalidades" cresceram 56% em apenas um mês. O salto foi de R$ 632,4 milhões em junho para R$ 990,6 em julho deste ano. O valor gasto em julho foi 73% maior que a média orçamentária do programa nos últimos seis meses, que ficou em torno de R$ 573,6 milhões."

http://contasabertas.uol.com.br/noticias/detalhes_noticias.asp?auto=1486

A classe média uiva. A mesma que há anos e anos fecha as janelas do carro frente a aproximação dos meninos de rua, agora se sente traída! Cínica e tola, como sempre. O operário chegou ao poder e não a levou ao céu!

O populacho tem, efetivamente, um quilo de carne à mesa, com o Programa Bolsa Família e garante a Lula, na largada, 40 milhões de votos!

O país onde a concentração de renda é a mais cruel do mundo assiste a eleição da vingança da miséria contra a elite burra.

A ética é o tema da propaganda televisiva: os situacionistas defendem-se das suas falcatruas lembrando que a corrupção é atávica nos governos que os antecederam. Os oposicionistas esquecem-se que a inventaram, cevaram e sofisticaram.

Lula no poder não foi o começo de outro caminho. É o mesmo caminho, com um guia perdido entre sua história e a história real do poder. Entre a carne na mesa do pobre e os maiores lucros do setor financeiro na última década!

Meu não-voto se firma cada vez mais. O que está em torno do meu umbigo é suficiente pros dias que me restam. Descomprometo-me com a salvação da pátria!  Minha trincheira hoje é restrita. E beijo os que permanecem na luta.

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