" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

08
Ago 06
belemdopara.jpg

Ainda que eu esteja aqui dia após dia
e que você esteja às vezes perto
e às vezes tão longe,
o sol nasce impunemente
e as noites de lua cheia são magníficas.
Há meses, semanas, dias
em que estamos lado a lado mesmo distantes,
e dias, semanas, meses,
em que, mesmo perto,
nos ausentamos de nós
de tal forma,
que nos desconhecemos.
Eu não gosto de ser sozinha,
embora goste muito da música do Gil
quando diz "eu preciso aprender a só ser",
mas detesto mais ainda a solidão acompanhada.
E de vez em quando,
- especialmente quando -
sinto o cansaço atávico e tão humano
de estar vivendo a respirar e respirar,
enquanto a nicotina não me desobrigar deste ofício,
percebo que ao meu lado
- e disto ninguém tem culpa -
andam comigo, sempre,
como irmãos siameses,
o sentimento do vazio que nada preenche,
o ruído tiquetaqueado do tempo escorrendo
e o vento frio que me percorre a espinha,
mesmo sob o sol escaldante de Belém do Pará.
E mesmo quando me sinto alegre por acordar viva,
numa manhã clara como a de hoje,
e ouço o riso de Beatriz
a sair para a escola
e a vida faz algum sentido,
ainda assim
não me explico a que vim,
a que viemos.

publicado por Adelina Braglia às 08:04

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