" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

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Jul 06

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.

Tempo de absoluta depuração.

Tempo em que não se diz mais: meu amor.

Porque o amor resultou inútil.

E os olhos não choram.

E as mãos tecem apenas o rude trabalho.

E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.

Ficaste sozinho, a luz apagou-se,

mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.

És todo certeza, já não sabes sofrer.

E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?

Teus ombros suportam o mundo

e ele não pesa mais que a mão de uma criança.

As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios

provam apenas que a vida prossege

e nem todos se libertaram ainda.

Alguns, achando bárbaro o espetáculo,

prefeririam (os delicados) morrer.

Chegou um tempo em que não adianta morrer.

Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.

A vida apenas, sem mistificação.

(Os ombros suportam o mundo - Carlos Drummond de Andrade)

publicado por Adelina Braglia às 22:56

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class=MsoNormal>Eu não quero abraços mornos, prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />
class=MsoNormal>sorrisos educados,
class=MsoNormal>cordiais e formais apertos de mão.
class=MsoNormal>Que se danem a civilidade e os bons costumes!
class=MsoNormal>Que me deixem ser, de vez em quando,
class=MsoNormal>irritadiça, mal humorada, comum.
class=MsoNormal>Eu quero transpirar a agonia dos dias passando
class=MsoNormal>sem que eu possa sorve-los, um a um,
class=MsoNormal>como se comesse gomos de tangerina.
class=MsoNormal>Eu não quero a mormacenta agonia das horas
class=MsoNormal>gastas em coisas que me convenço tão importantes class=MsoNormal>quanto a mudança do mundo!
class=MsoNormal>E nem quero aceitar que minhas horas gastas em fim tão nobre
class=MsoNormal>me fazem ser mais ineficazclass=MsoNormal>quanto a sorridente vizinha ao lado
class=MsoNormal>que é feliz, muito feliz, class=MsoNormal>comprando cheiro-verde à porta de casa!
class=MsoNormal>Eu quero o abraço do pai, class=MsoNormal>a repreensão da mãe, class=MsoNormal>o colo da madrinha,
class=MsoNormal>qualquer destas coisas que me devolvam o sentimento
class=MsoNormal>de que comer chocolates class=MsoNormal style="MARGIN-LEFT: 18pt">- ah! Mestre Pessoa – class=MsoNormal>aliviava toda a dor.
publicado por Adelina Braglia às 08:16

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