" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

08
Jun 06
cordanoite.jpg
publicado por Adelina Braglia às 22:59

sombras.jpg ,

Tirei a foto porque fiquei impressionada com a beleza do reflexo da junção das tábuas do cais nas águas do rio.

É pena que eu não saiba como a foto pode ficar maior do que aparece, o que facilitaria ver como é linda a difusão do sol entre as frinchas do taboado. O que me fez ir buscá-la no arquivo foi a sensação do gosto amargo na boca, que desde ontem me acompanha, e que foi a razão do post anterior, e que dormiu e acordou comigo, coisa não muito rara, convenhamos, para quem acha que sentir as dores do mundo é um "generoso" contraponto à própria dificuldade de resolver as suas.

Talvez seja a proximidade da Copa do Mundo!!!!! e do anseio nacional do Brasil hexa!!! hexa!!! hexa!!!! que irrita meus ouvidos e meu coração. Não, não tenho nada contra o futebol, assim como nada tenho a favor. Para mim é um esporte qualquer e não me comove a disputa, pois sermos a "pátria de chuteiras" - não sei se a expressão é do Vinícius de Morais (*)  - não me anima,  já que em outras disputas o placar sempre nos coloca fora do camponato mundial: torneios da justiça, educação, saúde, trabalho, etc. etc. etc.

Mas, sim, a foto. Junto com ela há um fundo musical, aqui na cabeça, a canção Navegante, cantada por Zé Renato e pelo Trinadus, e tudo isto acabou me levando a fantasiar um país cujas tábuas de sustentação estão indelevelmente soltas uma da outra, unidas por uma falsa sensação de que somos uma nação e que a visão real só se dá pelo avesso.

Tá de bom tamanho pra uma quinta-feira.

Fui.

(*) corrigindo, hoje, 14.06, a frase é de Nelson Rodrigues.

publicado por Adelina Braglia às 08:28

07
Jun 06
Perdoem-me por chamar o poema de Drummond de "epígrafe". Mas, pareceu-me tão apropriada a utilização do poema para os dias de desordem institucional, de corrupção ativa e passiva, do "descolamento" da responsabilidade pelas ações de governo daqueles que são os responsáveis por elas, que não resisti.
Perdão, Drummond, mas o medo referido no seu poema foi substituído por um sentimento viscoso, que não consigo nominar, nem definir, mas é alguma coisa parecida com "cidadania" sem cidadãos.

" Provisoriamente não cantaremos o amor,
que se refugiou mais abaixo dos subterrâneos.
Cantaremos o medo, que estereliza os abraços,
não cantaremos o ódio, porque este não existe,
existe apenas o medo, nosso pai e nosso companheiro,
o medo grande dos sertões, dos mares, dos desertos,
o medo dos soldados, o medo das mães, o medo das igrejas,
cantaremos o medo dos ditadores, o medo dos democratas,
cantaremos o medo da morte e o medo de depois da morte.
Depois morreremos de medo
e sobre nossos túmulos nascerão flores amarelas e medrosas."

(Congresso internacional do medo - Carlos Drummond de Andrade)
publicado por Adelina Braglia às 18:31

05
Jun 06

A revista Agulha - link aí ao lado - editou uma matéria sobre Nelson Rodrigues, esta que dá título ao post (http://www.secrel.com.br/jpoesia/ag51antunes.htm).

Coincidentemente, há poucos dias, comentávamos entre amigos a crueza das crônicas de Nelson, então publicadas nos jornais, nas décadas de 60, 70. A vida como ela é, era o título da sua coluna diária nos jornais de São Paulo.

Eu, na minha pouca idade, imaginava ser aquilo pura ficção! Não concebia que a tal da vida pudesse ser povoada de prostitutas, cafetões, mulheres infelizes e mal amadas, homens precisando permanentemente exercer seu poder sobre amantes, esposas, mães e irmãs.

Nelson dizia que mulher gostava de apanhar e eu achava isso terrível. Chauvinista, era o rótulo do momento. Porco chauvinista, aliás, era como o chamávamos no circuito da escola secundária!

Revendo Nelson Rodrigues hoje, concordo que a vida é como ela é.

Piégas, isso. Também concordo. Mas, revolveu alguma coisa aqui por dentro, que não identifico bem.

 

publicado por Adelina Braglia às 08:14

"Expulsos de área homologada, grupo de 180 índios convive com o medo, acampado às margens de rodovia em MS

Os cerca de 180 índios da primeira aldeia guarani-caiová homologada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva em Mato Grosso do Sul, em 2005, vivem desde dezembro acampados nas margens da Rodovia MS-384, que liga as cidades de Antônio João e Bela Vista.

Eles foram expulsos da aldeia quando o Supremo Tribunal Federal (STF) anulou sua regularização, mesmo depois da assinatura do presidente. Hoje, convivem com o medo da violência, decorrente do conflito pela terra com os fazendeiros, o risco de atropelamentos e a poeira deixada pelos mais de 300 caminhões que passam dia e noite pelo local.(...)"

Ricardo Brandt

(http://www.estado.com.br/editorias/2006/06/04/pol-1.93.11.20060604.3.1.xml)

publicado por Adelina Braglia às 06:26

04
Jun 06

Biapraca 013.jpg


E dá pra ver a pontinha da pena do tererê! E para a avó este domingo também esteve envolto em paz, em realização de desejos e de prazeres conquistados!
E a pontinha da pena vermelha do tererê é o meu troféu!

publicado por Adelina Braglia às 18:23

Biapraca 002.jpg


... e o tererê!!!!

publicado por Adelina Braglia às 18:00

Biapraca 009.jpg 


... o teatro na praça...

publicado por Adelina Braglia às 17:55

Biapraca 011.jpg


... a festa do boi...

publicado por Adelina Braglia às 17:52

03.06.2006.jpg


Aqui está você.

Face ao nosso combinado de irmos à praça pela manhã, você veio dormir no meu quarto, com certeza para não perder o despertar, pois combinamos sair cedo, a fim de evitarmos o sol forte desse começo de verão.

Combinamos que amanhã - hoje, daqui a pouco - você fará um tererê nos cabelos, igual ao meu. Só que o meu é azul e você já definiu que o seu será...vermelho! Vermelho, uma cor que fascina você desde que começou a entender de cores! E a ansiedade de ir à praça e fazer o tererê, colocou você a dormir mais cedo, pro domingo chegar mais rápido!

Quase tudo a fascina, na proximidade dos seus 5 anos. Algumas coisas ainda a incomodam, como por exemplo, fazer aniversário no mesmo dia que eu

É,  Bia, essa foi difícil explicar. A avó tão grande, nascendo no mesmo dia que você! Tá certo que não fui muito brilhante nesse assunto, querendo que você tivesse o entendimento de que nascer no mesmo dia não é nascer para a vida ao mesmo tempo. E enquanto fala - e fala o tempo todo! - rodopia, dança, os olhos brilham, as mãozinhas se agitam , os pés não param quietos.

Mas, desde que você decidiu que a sua festa seria a das princesas e que a minha teria que ser de outro personagem, parece que já começa a compreender que nascemos no mesmo dia mas que não nascemos juntas!

Dorme, princesa, que amanhã iremos à praça, para você colocar um lindo tererê vermelho nos seus cabelos e, certamente, depois disso, o mundo ficará em paz por uns....cinco minutos, até você descobrir um novo desejo.

Cuida bem dos seus desejos, Bia, cuida bem.

Beijo.

 

publicado por Adelina Braglia às 02:04

Junho 2006
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

15

23

25
26
27
28
30


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO