" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

08
Jun 06
Eu não me reconheço quando reconheço
que me falta garra pra dizer
que o amor é forte, mas ele não dá conta
de se viver constantemente
ao sabor dos vagalhões e turbulências,
cujos intervalos são cada vez mais curtos
ou a respirar como a quem falta o ar.

Eu não me reconheço quando reconheço
que todos os dias quando a maré abaixa
eu chego exausta nesta mesma praia
e olho o mar com olhos de cansaço
sem saber se o enfrento de manhã.

publicado por Adelina Braglia às 23:33

coresdotambor.jpg
publicado por Adelina Braglia às 23:03

artequilombo.jpg

publicado por Adelina Braglia às 23:00

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publicado por Adelina Braglia às 22:59

sombras.jpg ,

Tirei a foto porque fiquei impressionada com a beleza do reflexo da junção das tábuas do cais nas águas do rio.

É pena que eu não saiba como a foto pode ficar maior do que aparece, o que facilitaria ver como é linda a difusão do sol entre as frinchas do taboado. O que me fez ir buscá-la no arquivo foi a sensação do gosto amargo na boca, que desde ontem me acompanha, e que foi a razão do post anterior, e que dormiu e acordou comigo, coisa não muito rara, convenhamos, para quem acha que sentir as dores do mundo é um "generoso" contraponto à própria dificuldade de resolver as suas.

Talvez seja a proximidade da Copa do Mundo!!!!! e do anseio nacional do Brasil hexa!!! hexa!!! hexa!!!! que irrita meus ouvidos e meu coração. Não, não tenho nada contra o futebol, assim como nada tenho a favor. Para mim é um esporte qualquer e não me comove a disputa, pois sermos a "pátria de chuteiras" - não sei se a expressão é do Vinícius de Morais (*)  - não me anima,  já que em outras disputas o placar sempre nos coloca fora do camponato mundial: torneios da justiça, educação, saúde, trabalho, etc. etc. etc.

Mas, sim, a foto. Junto com ela há um fundo musical, aqui na cabeça, a canção Navegante, cantada por Zé Renato e pelo Trinadus, e tudo isto acabou me levando a fantasiar um país cujas tábuas de sustentação estão indelevelmente soltas uma da outra, unidas por uma falsa sensação de que somos uma nação e que a visão real só se dá pelo avesso.

Tá de bom tamanho pra uma quinta-feira.

Fui.

(*) corrigindo, hoje, 14.06, a frase é de Nelson Rodrigues.

publicado por Adelina Braglia às 08:28

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