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O tamanho.

Terça-feira, 23.05.06

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“O desinteresse pelas coisas que dizem respeito
ao negro é o que chamamos invisibilidade.”


Hélio Santos, A Busca de um Caminho para o Brasil
São Paulo, Editora SENAC São Paulo, 2001



Buscar fora de mim e do meu círculo de giz o ar que me falta. Foi isto que fiz hoje, graças à possibilidade fantástica que meu trabalho me dá.

Olhar olhos atentos aos sinais de luz e falar para ouvidos ávidos por notícias dos direitos longínquos da cidadania.

Com isto, minha dor retoma seu real tamanho, aquele que ela precisa ter, para que eu e ela possamos dormir em paz.

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Adelina Braglia às 22:27

A dor, de novo.

Terça-feira, 23.05.06

Aí ao lado, Mercedes Sosa canta a inevitabilidade da mudança. Minha querida Samartaime com certeza não a manteve aqui, cantando e cantando, a propósito! Mas, as mudanças estão aí, batendo no meu nariz, e com fundo musical! Que embala há dias meu lamento inútil de mãe.

Não, o que me assusta não é a mudança em si. É o pavor de reconhecer que meu amor foi tão soberbo e tão egoísta que o custo é tão elevado que é quase insuportável.  E não adianta afirmar que racionalmente eu sempre soube disto. A história, a vida, os sentimentos, mudam e mudam. Pela dor ou pelo amor. O que o racional não faz é aceitarmos que nunca os controlamos, o amor, suas delícias e suas dores.

Por isso, cá dentro da alma, sempre quis ser a grande controladora,  das grandes ou pequenas coisas. Afinal, os arrogantes contentam-se até com as liquidações!

Na juventude, pensava controlar os destinos da revolução e os do meu amor. Na idade madura dediquei-me a querer controlar a felicidade e a dor dos filhos. Ah! Estes tinham por obrigação sair pelo mundo felizes, maravilhosamente felizes, graças à poderosa mãe.

Minha receita foi o amor incondicional, no seu pior sentido, pois aprendi com o pai que amor em excesso não mata. O que mata é a falta dele, pois o excesso a vida toma, e a falta ela não repõe. Só que na receita do pai havia o tempero da mãe e da sua dureza e os seus limites pra lá de rígidos e até injustos, porém, limites.

Eu não: presunçosa e comodamente, segui só a receita do pai. Amor, amor, como se amor fosse o céu de algodão doce, dos livros babacas de ursinhos e fadas da infância. O meu foi o amor permissivo, que destrói o ânimo, que não leva ao céu, nem mesmo o céu idiota que eu imaginava.

Sofremos hoje, meu filho e eu, o resultado desse plano macabro de achar que as mães têm o poder de fazer os filhos felizes. Deveria ter me lembrado de Cazuza – só as mães são felizes!

A dor e suas causas! Acho que ainda não as coloquei aqui. Aliás, a causa, sim, esse meu amor egoísta. As conseqüências o filho as carrega: usuário de drogas, aos 20 anos, recusa a lógica da doença, pois com a mãe arrogante “aprendeu” que controla o mundo e suas adversidades.

Porque escrevo isso aqui? É o vício da presunção: quem sabe entre os parcos leitores, haja quem ainda duvide que o amor sem limites dói tanto quanto a falta dele. Que não saiba que o amor só faz sentido se for generoso a ponto de não ser guiado pelos desejos de quem acha que sabe fazer o outro feliz e que o outro seja obrigado a viver o que nós pensamos que é felicidade. Ou ser feliz pelos nossos desejos.

Os filhos precisam aprender a viver, aprendendo. Nosso script às vezes é uma farsa. 

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Adelina Braglia às 08:35


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