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A dor.

Segunda-feira, 22.05.06

Se eu desdobrasse esta dor em dez e a repartisse pelo corpo inteiro, não haveria braços, pernas, olhos, boca, capazes de suportá-la. O corpo não suporta dores. Na verdade, ele as sublima. Transforma-as em dor na coluna, na cabeça, no estômago.

A dor de causar dor ao filho, esta não. Esta não se dissolve nem se dissipa pelo corpo. Não alivia, não distribui seu peso de forma que se possa carregá-la. Ela gruda na alma e a espreme.

Encontro formas mil para me explicar comigo, pra dizer que este é o remédio necessário pra curar a dor do filho. Mas, que medo, que medo!

Ai, que esta dor agarrada à alma, não passa, não passa, não passa.

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Adelina Braglia às 22:02

Para o meu filho, 2.

Segunda-feira, 22.05.06

Às vezes a escolha é de alto risco. Mas, não há como parar na encruzilhada. Foi assim que me senti hoje, ao amanhecer insone e me convencer que meu amor pelo filho só indica uma escolha, aquela que parece a mais dura, a mais fria, a mais “desamorosa”. E junta-se a essa dificuldade, outra, talvez pior: não saber se o que dói é a dor do filho ou a minha impotência de intervir, eu, a poderosa mãe, que sabia os caminhos que ele devia andar, com as minhas pernas!

Retardei suas possibilidades de cura, pela minha arrogância – que tantas vezes chamei de amor! Cheguei a sentir, muitas vezes, aquela pontinha de irritação por achar que ele não queria ir por onde eu indicava, o que para mim era a coisa mais natural do mundo. Afinal, em nome do amor, a gente sufoca, prende, amarra. E isso não é privilégio de mães. É erro de quem acha que amar é isso.

O registro destes dias de escolha serão relembrados por nós, dentro em breve, com o alívio que tem o pescador, contando a atentos ouvintes, como foi difícil sair daquela tormenta, há muitos temporais atrás. Não, isso não é presunção, filho. É um sincero e amoroso desejo.

Um beijo.

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