" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

06
Dez 05

Tenho que fazer a revisão de um texto desconexo.

A chatice de faze-lo me induz a imaginar que se eu tivesse sido o que queria - cantora de boate - talvez hoje estivesse indo dormir bem cedo pra enfrentar, na madrugada de amanhã, a fila do INSS, pra curar uma bronquite adquirida entre copos de gelo e cigarros. Muitos. Mas, teria cantado noites inteiras e ensaiado passos de dança cantando Sabor a mi, enquanto o garçom filósofo atenderia os velhos quase bêbados e as mulheres excessivamente pintadas, na sala enfumaçada.

 Sim, essa é a minha fantasia de boate, ou de  “bar da noite”, como cantava a Nora Nei:


“Bar, tristonho sindicato, de sócios da mesma dor,

bar, que é o refúgio barato dos fracassados do amor”


Ao mesmo tempo, essa fantasia que me acompanha desde a juventude, e que não se realizou, anda de mãos dadas com outras, que também não se realizaram: os sonhos de revolução, a idéia de um Brasil justo, a expectativa de um povo feliz.

Assim, cá estamos, eu com cinqüenta e seis anos e o Brasil com muitos mais, revisando um texto desconexo.

Vamos em frente.

Fui.

publicado por Adelina Braglia às 21:58

height=360 alt=P9160011.JPG src="http://travessia.blogs.sapo.pt/arquivo/P9160011.JPG" width=480 border=0>

        a fotografia é um tempo morto 
           fictício retorno à simetria 
           secreto desejo do poema 
           censura impossível 
           do poeta   

(Como rasurar a paisagem  -   Ana Cristina César)  prefix = o ns = "urn:schemas-microsoft-com:office:office" />

     

publicado por Adelina Braglia às 20:44

05
Dez 05

height=355 alt=alma.jpg src="http://travessia.blogs.sapo.pt/arquivo/alma.jpg" width=473 border=0>

Uma foto mal tirada retrata o sol que se vai e a lua que não chegou.

Um dia azíago retrata o que fui e o que não sou.

Uma angústia capenga indica o limite do que vou ser.

publicado por Adelina Braglia às 19:14

Busco nos poetas as palavras

que se eu tentasse juntar,

não responderiam a nada do que sinto.

Mestre José Régio me empreste o verso,

aquele que diz que não vais pra onde

o bom senso manda.

Apoia com teu poema minha tardia rebeldia,

minha vontade de transgredir,

uma vontade tão forte que chega a doer!

Ó poeta Vinícius ceda-me aquele verso

onde você pede a Amélia

que procure a Patética no rádio,

porque tem um tédio enorme da vida.

E de Drummond copiaria

"Amar a nossa falta mesma de amor,

e na secura nossa amar a água implícita,

e o beijo tácito, e a sede infinita."

E encerraria essa colagem

lembrando Paulo Leminsky

pra acalmar minha inquietude:

" sossegue coração

ainda não é agora

a confusão prossegue

sonhos afora"

publicado por Adelina Braglia às 17:52

Um dia cinza, deste peculiar "inverno" amazônico.

Um mormaço adocicado. Céu nublado.

Pra me descrever hoje,  retiro o adocicado.

publicado por Adelina Braglia às 07:35

03
Dez 05

STORM é Billie Holiday.

Literalmente.

Sem tradução.

Billie furacão.

Storm em I’ve got my love to keep me warm.

Assim:

“ My heart is on fire the flame grows higher

So I will weather the storm…”

Definitivo.

Perfeito para um sábado.

publicado por Adelina Braglia às 11:25

"A Academia Brasileira de Letras se compõe de 39 membros e um morto rotativo."

Millôr Fernandes

publicado por Adelina Braglia às 07:53

Variações sobre um mesmo tema.

Sons e vozes.

Um verão aqui, permanente.

A palavra tempo não quer dizer nada.

Sun mar timing.

Perdi o timing em alguma volta da vida.

Ou não.

Sun sea tempo.

O mar revolto, esteticamente,

é muito mais bonito.

Summer.

Verão.

Em português, perde o charme.

Não fica tão bonito.

publicado por Adelina Braglia às 05:08

02
Dez 05

“...Perdoem a falta de escolha,

os dias eram assim.
E quando passarem a limpo,

e quando cortarem os laços
e quando soltarem os cintos,

façam a festa por mim.
Quando lavarem a mágoa,

quando lavarem a alma
Quando lavarem a água,

lavem os olhos por mim
Quando brotarem as flores,

quando crescerem as matas
Quando colherem os frutos

digam o gosto pra mim.”



Aos nossos filhos – Vitor Martins e Ivan Lins

publicado por Adelina Braglia às 17:30

Não, eu ainda não quero comentar nada sobre a cassação do José Dirceu.

Fui!

publicado por Adelina Braglia às 07:46

Dezembro 2005
Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1
2
3

4
5
6
7
8
9
10

11
16
17

22

25
26
27
28
29
30
31


Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

subscrever feeds
mais sobre mim
pesquisar
 
blogs SAPO