" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

16
Nov 05

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  Eu, pastora, que apascento

estrelas da madrugada

pelas campinas do vento,

fui falar ao eco antigo,

a cuja voz fui criada,

e que supus meu amigo.


"Sou sempre a de antigamente",

murmurei-lhe, enternecida.

E ele anunciou longe: Mente"


Mas era a minha verdade

e, vendo-me assim descrida,

padeci com a falsidade.


"Eco amigo, eu não te iludo:

pastora sou destes prados

onde se confunde tudo

mas sou de ontem e de agora,

dentro dos despedaçados

instantes de nenhuma hora...


A amargura não me aumentes...

E o eco antigo, infiel e exato,

repetiu-me perto: "Mentes...


" Vergada em móveis espelhos,

vi nas águas meu retrato,

chorei sobre mim, de joelhos.


Mas o gado que pascia

pelas colinas da aurora,

mascando as margens do dia,

veio a mim sem que o esperasse,

lambeu-me os olhos de outrora,

- reconheceu a minha face.

(Cecília Meireles – Pastora descrida)

Obrigada, Gribel.

publicado por Adelina Braglia às 09:00

15
Nov 05

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Comunidade Quilombola de Porto Alegre - Cametá - Pará - Brasil

publicado por Adelina Braglia às 17:04

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Comunidade Quilombola de Porto Alegre - Cametá - Pará - Brasil

publicado por Adelina Braglia às 16:59

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Comunidade Quilombola de Porto Alegre - Cametá - Pará - Brasil

publicado por Adelina Braglia às 16:56

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Quando criei o Travessia, fiz comigo uma brincadeira: criei, no mesmo momento, outro blog, o Maré mansa. A idéia era imaginar que essa travessia recém iniciada me levaria à maré suave, aquela que acaricia, que é mansa.

A cada período, altero no Maré mansa a imagem ou pequeno texto que ali coloquei, para manter o espaço aberto, antes que o sapo me coache para fora da sua lagoa, por falta de assunto.Fiz isso há pouco. Como vê, mantenho a esperança de fazer a travessia para outras marés. Preocupa-me só a frase lapidar do meu pai: "A esperança é a última que morre. Mas morre!"

 


 

publicado por Adelina Braglia às 06:25

13
Nov 05

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A lua operária rejunta os ladrilhos da piscina, às duas horas da manhã.

Acompanho-a no horário e na tarefa de me rejuntar.

publicado por Adelina Braglia às 21:56

11
Nov 05

Acordar com um gosto amargo na boca que a pasta de dentes não retira.

Mau humor. Ou mau amor.

E imaginar uma receita de pão pra entender: 

 


Separe os ingredientes.

Misture-os, a quatro mãos,

cada um com seu olhar.

Pitadas quase imperceptíveis de egoísmo.

Sova-se a paixão no cotidiano,

deixa-se descansar esse amor machucado

até a dor dobrar de tamanho.

Coloca-se no forno da rotina

 e, depois,

espera-se retirar do forno pãezinhos dourados!

publicado por Adelina Braglia às 06:43

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http://www.midiaindependente.org/pt/green/


É verdade. Meu país e eu ainda vamos mal.

Esta é só pra não passar sem anotar.


 

publicado por Adelina Braglia às 06:22

09
Nov 05

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Foto: Rosa Almeida.

O oblíquo traço da pupila parece navegar num estranho mar azul.

Nariz gelado, pelos macios.

É só uma gata, sem filosofias.

publicado por Adelina Braglia às 01:57

08
Nov 05

Murmurar poemas, cantarolar cançoes, deixá-las vagar pela memória.

Ouvir o silêncio é um exercício insano.

publicado por Adelina Braglia às 12:36

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