" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

19
Set 05

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Tem certos dias em que eu penso em minha gente
E sinto assim todo o meu peito se apertar
Porque parece que acontece de repente
Feito um desejo de eu viver sem me notar
Igual a como quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem, vindo de trem de algum lugar
E aí me dá como uma inveja dessa gente
Que vai em frente sem nem ter com quem contar

São casas simples com cadeiras na calçada
E na fachada escrito em cima que é um lar
Pela varanda flores tristes e baldias
Como a alegria que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza no meu peito
Feito um despeito de eu não ter como lutar
E eu que não creio peço a Deus por minha gente
É gente humilde que vontade de chorar


Gente humilde  (Garoto - Vinícius de Moraes - Chico Buarque)


 

publicado por Adelina Braglia às 23:16

 


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Se eu soubesse colocar músicas no blog, vocês ouviriam "Pueblo nuevo" (Buena Vista Social Club), embora Mestre Leopoldo - esta maravilhosa figura cuja foto retrata muito mal - não conheça essa música.

Mestre Leopoldo, ou Tio Leopoldo, vai fazer 80 anos e do alto da sua juventude lidera os batedores do samba do cacete de uma das comunidades quilombolas do  município de Cametá, estado do Pará.

Foram 4 dias andando no Brasil real, aquele que sobrevive à incompetência pública e à gãnância privada. Mestre Leopoldo é um dos brasileiros desta realidade comum aos remanescentes de quilombos, para quem a memória da identidade, a certeza do pertencimento a algum lugar, os faz reviver através dos cantos, danças e ladainhas, a sua história, e a memória dos avós e bisavós, iluminando com seus olhos a noite de Porto Alegre, comunidade onde estávamos conversando.

publicado por Adelina Braglia às 23:03

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Caminhos na mata. Lindos. Barrancos surgem no meio da estrada estreita. Poético pra quem, como eu, ali vai vez em quando, levar informação e conformar desejos sinceros de vida melhor em ações e programas tão estreitos quanto os caminhos.

Caminhos na mata. Difíceis, sofridos, pra quem vive sempre ali, transitando entre a ingênua consciência do direito e o cansaço da distãncia a percorrer para garanti-lo.

Caminhos. Da alma. Tal qual este. Barrancos atravancam a passagem, mas bem ali à frente, há vida, muita, em cada folha visível e invisível.

publicado por Adelina Braglia às 08:42

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