Às vezes caminho na chuva,
às vezes flutuo no ar,
às vezes canto e assobio,
às vezes desabo a chorar.
Não danço música nova,
não como salgado com doce,
não disfarço se não gosto,
derreto-me quando entristeço.
Tenho fibra pra luta alheia,
perco-me sempre nas minhas,
não suporto meus pés sujos,
lavo o cabelo todo dia.
Amo os filhos como a águia,
que mata para protege-los,
debaixo das asas eu os quero,
assusto-me quando eu os olho
e vejo que já cresceram.
Bradei por tantas quizílias,
gastei muita esperança,
cruzei tantas estradas,
de terra, asfalto e areia,
cravei estacas na terra
cravei estacas no peito.
Agrego mais do que afasto,
carrego mais do que divido,
sonho mais do que devia,
faço menos do que quero,
tenho menos do que amo.
Quero voar sem destino,
quero dormir e acordo,
quero colo e não o alcanço
e tenho que dar o que peço.
Nada de novo, nada é trágico
nada é terrível ou tristonho,
minha vida é realidade,
minha realidade é o sonho.
Sou uma mulher comum.