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Agridoce.

Terça-feira, 16.08.05

Dois tópicos agridoces:

 1 – o coletivo

 Assisti ontem a uma rápida entrevista do Senador Aluízio Mercadante. Sereno, ponderado, comentava a crise do PT. Opinou sobre as medidas inadiáveis no âmbito do Partido e do Governo: a necessária punição de todos os culpados, a urgência da reforma política dando transparência aos financiamentos de campanha e a garantia de instrumentos de controle do cidadão sobre as campanhas e sobre os compromissos dos candidatos com setores que eventualmente eles representem.

Gostei do que ouvi, pareceu-me tão claro e lógico o que o senador propôs. Resta saber se assim será. Fica também uma pontinha de dúvida: porque ninguém ouviu o senador antes? Porque o PT renegou o que o consolidou como inovação na política?

Tenho cá uma explicação, genérica demais, é verdade: o PT arrogou-se o direito de transformar a corrupção em fim que justificava os meios. Ou seja: corrupção na mão dos outros era roubo. Nas suas, era missão.

2 – o individual

Tenho a segurança do afeto, da compreensão permanente que recebo,

da tolerância para com as minhas loucuras, com as minhas idas e vindas.

Tudo é tão sólido que quero chamar a isso de amor.

Ouço o que preciso, e não necessariamente o que quero ouvir.

Depois, tranquilamente, concordo que eu não tinha razão.

Durmo e sonho com o que não me lembro,

mas, hoje isso não me angustia.

Acordo e não me sinto mal.

Confundo o efeito do anti-depressivo com esse bem estar de agora,

e questiono se é o comprimido ou o carinho que me faz bem.

Sei com quem dividi meus sonhos coletivos

e com quem divido agora minha aflição.

E tenho certeza de que sempre terei a sua companhia.

E sinto-se bem por não estar só nessa estranha travessia,

da margem da ilusão de outrora para essa nebulosa margem que hoje se apresenta.

E escrevo essas coisas, feito tonta,

e me angustio pra responder se isso é amor.

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