" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

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Ago 05
A chuva forte lava a cidade.
Típica chuva de verão.
As ruas, depois da chuva,
estão inundadas.
Penso no velho dito espanhol:
“Hay gobierno? Soy contra!”
publicado por Adelina Braglia às 20:16

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Às margens plácidas desse rio vivem homens honestos. Se não todos, a maioria. Eu os conheço. E são muitos. Colhem o açaí, lutam diariamente pela sobrevivência. Organizam-se, produzem e avançam na sua representatividade junto ao coletivo. Os diretores da associação são eleitos, cumprem um estatuto e hoje já discutem um regimento para gestão do seu território.Pode ser que alguns já tenham ouvido o pedido de desculpas do Presidente Lula hoje, justificando seu sentimento de ter sido traído, condenando as práticas desonestas e afirmando que se dependesse dele, já teria punido os culpados.

Pergunto-me se os quilombolas acreditaram. Eu não consigo mais acreditar. Consolo-me, em parte, com o meu descrédito, pensando que se tivéssemos um presidente tão ingênuo, incapaz de enxergar, supor ou deduzir e saber como foram pagas as contas de campanha do seu partido, talvez nossa situação fosse ainda pior. Tanta ingenuidade talvez nos tivesse levado ao olho do furacão mais cedo.

Cercado de pulhas, de "pais da pátria”, "honestos" e comovidos depoentes, choros e ranger de dentes dos seus apoiadores, um partido esfrangalhado e uma base parlamentar de adversários que riem à socapa das trampolinagens agora expostas, quem sabe o presidente não gostaria de estar por aqui, olhando os açaizais e conversando com esses brasileiros honestos que sabem com clareza como combater e punir os mal feitos de seus companheiros, com o relativo poder que têm.

Fica o convite.

publicado por Adelina Braglia às 15:24

Ontem resolvi assistir o telejornal da noite. Show completo: numa sala, Marcos Valério, na outra Duda Mendonça. Ditos e desmentidos ao mesmo tempo. Versões diversas sobre um mesmo fato/dinheiro.
Os flashs da edição eram rápidos mas percebia-se que Marcos Valério abateu-se nesse período. Duda Mendonça continuava com um ar de publicitário bem sucedido.
Duda Mendonça chorou. Lembrou a mulher, a irmã e os filhos. Comovido declarou que em respeito a eles - família e amigos - estava ali espontaneamente pra dizer a verdade. E, parece que disse. Pelo menos a que lhe convinha.
Quanto à espontaneidade do seu gesto, só ocorreu após a CPI chegar na sua ilharga. Afinal estamos há dois meses nesse fogo cruzado intenso e o seu patriótico ato só ocorreu ontem. Ou seja, antes que me peguem, pego-os eu!
O choro é que é interessante. Dizem que somos um povo sentimental, herança do nosso tri-avô português. Denise Frossard, respeitável parlamentar do Rio de Janeiro, membro da CPI, comoveu-se com o choro. Elogiou o depoimento de Duda. A câmara não estava pertinho, mas parecia que ela falava com lágrimas nos olhos.
E tudo isso me leva a pensar que eu, que me comovo com um poema ou uma música, devo estar "perdendo a ternura". Duda não me comoveu. Deu-me náuseas.


publicado por Adelina Braglia às 07:54

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