" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

22
Set 07

 

As palavras ferem.
Quem faz delas adágio para o sentimento
corre sérios riscos.
Assim como os que acham que o gesto
é só o complemento do que é dito.
 
Certas ou erradas,
as palavras têm força.
Agigantam-se, às vezes,
e te pegam desprevenida.
 
Não há poesia sem palavras
E os concretistas que me perdoem,
detesto decifra-las.
Não gosto de dar-lhes sentido
além do que elas são.
 
Gosto delas assim:
algumas deixando pernas e braços
escapar das suas formas redondas ou ovaladas.
 
As palavras não voam.
Elas ficam circundando o ar,
o tempo,
o lugar.
 
As palavras são simples.
Assim.
Como as descreve o poeta.
 
 
 
Os sábios ficam em silêncio quando os outros falam
Crianças gostam de fazer perguntas sobre tudo
As máquinas de fazer nada não estão quebradas
Nem todas as respostas cabem num adulto

As pedras são muito mais lentas do que os animais
As chuvas vêm da água que o sol evapora
As músicas dos índios fazem cair chuva
Os dedos dos pés evitam que se caia

Os rabos dos macacos servem como braços
Os rabos dos cachorros servem como risos
Palavras podem ser usadas de muitas maneiras
As vacas comem duas vezes a mesma comida
 
 (Maneiras – Arnaldo Antunes e David Calderoni)
 
publicado por Adelina Braglia às 09:42

Como eu sei como as palavras ferem, Bia !

Já fui magoada várias vezes verbalmente. Não falo de "palavrões", mas de interpretações equivocadas. De fúrias irracionais. De raiva. De descontrole. De falta de gentileza. Ausência de carinhos e cuidados...e elas ficaram e eles se foram !

Bem lembrado no poema e na poesia.

Beijos.
Bom final de semana.
cris a 22 de Setembro de 2007 às 16:08

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