" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

17
Mar 07

 

Faz tempo que eu não ouço as músicas que gosto.
Faz tempo que não dou risadas soltas, frouxas, sem contenção.
Faz tempo que não procuro as pessoas de quem sinto falta,
faz tempo que não vou à praça comer empadinhas.
Faz tempo que só me esforço para cumprir as “minhas obrigações”.

Faz mais tempo ainda que desacreditei do tempo como medida ou solução para qualquer coisa.

Esse masoquismo atávico altera meu paladar.
E a comida sai insossa. Ou salgada.
Ele altera meu olfato, meu tato, e a minha visão perde o foco.
E nem sequer enxergo mais as flores brancas dos jasmineiros quando passo por eles na rua paralela.

Faz tempo que não cantarolo ou assobio pela rua, faz tempo que sinto falta do abraço do meu irmão.

Faz tempo que chove nesta cidade e talvez seja isso que amortece minha vontade
de ouvir, cheirar, ver e abraçar. Talvez seja só a chuva e não o masoquismo.

Tudo é muito úmido, nublado, mofado. E triste.

E eu me sinto como esse pássaro empalhado,
preso à grade por arames, com um arremedo de asas que não servem para voar.

 

 

publicado por Adelina Braglia às 12:29

Eu te disse: fica aqui!
As chuvas aqui causam alagamentos, engarrafamentos, mas nada de mofo, nada de umidade elevada...
E, melhor ainda, poderias abraçar o teu irmão, dar risadas das estórias de uma amiga maluca que tens e outras coisinhas mais!!!
dulce leoncy a 17 de Março de 2007 às 20:43

Beijão.

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