" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

26
Nov 06

 

Foto: Rosa Almeida

 


as nuvens foram inventadas no séc. XIX
para ornamentar o céu dos românticos
antes, eram só instrumentos de chuva
(à exceção do pórtico do Parnaso)
e não pairavam como agora ao bel-prazer
de olhares nunca dantes.
serão talvez banidas no futuro
em prol da sanidade desta esfera
no qual giramos por esporte & êxtase
(só restarão dispersos exemplares
no céu do Museu Britânico)

(Geraldo Carneiro – Poema sem título, Pandemônio)





Amanhã de manhã vou ler no jornal,
que numa estranha caverna,
entre nuvens,
uma mulher suicidou.

E na notícia,
porque é minha a ficção,
se informará, por mera presunção da verdade,
que a suicida assim não o queria ser.

Apenas, dançara até morrer.

Mas, isto não inventarão:


seu vestido era lilás.

e ela apertava na mão

um papel  onde se lia,

escrito em letra miúda:

minha menina se foi ao mar

a contar ondas e pedrinhas...

Mas haverá mentirosas deduções sobre a música que a levou à exaustão.

publicado por Adelina Braglia às 02:48

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