" Se a esperança se apaga e a Babel começa, que tocha iluminará os caminhos na Terra?" (Garcia Lorca)

11
Out 06

 

Não me cobrem nada,

que à vista ou a prazo

nada quero comprometer.

O meu parco patrimônio

foi gasto em estradas, vielas.

cidades e vilarejos.

Como pagamento, vez ou outra

uma galinha ou um saco de macaxeira

e esse pagamento nem era esperado,

mas era sempre bem recebido.

O pagamento melhor sempre foi o riso aberto e o olhar iluminado.

Sim, é claro que ganho para trabalhar

e por isto, só por isto,

meto-me a poetizar a vida.

E não falava do patrimônio material,

que para este,

enquanto eu tiver saúde, pernas, ouvido e boca,

estou me lixando!

Não me cobrem a cota emocional que os equilibrados

sempre têm para dar. Dispenso os conselhos

mas aceitaria um colo disponível para acolher sem perguntas.

Hoje meus cabelos continuam despenteados,

o banho foi uma imposição das noções rígidas de higiene

e a cabeça dói como se dentro dela gemessem todas as dores do mundo.

Se puderem, dêem meu recado

aos que são sãos,

que copio do mais lúcido dos enlouquecidos:

"Ao vencedor, as batatas".

 

 

 

publicado por Adelina Braglia às 20:49

Mas já foi a 2ª volta?!... Não, pois não?!...

O que é que tu tens?!...
sotavento a 11 de Outubro de 2006 às 21:45

Há um poema do Vinícius de Moraes que diz:"...minha mãe, manda comprar um papel almaço, quero fazer uma poesia. Se o aneurisma da dona Antonia arrebentar, me avisa, tenho um tédio enorme da vida..." Não sei se são exatamente estes os versos, mas o meu sentimento é. Mas, isto passa. Já passou muitas vezes e não será desta que vai se cristalizar. Beijo grande. PS: na verdade, eu substituiria o tédio por cansaço.
Adelina Braglia a 12 de Outubro de 2006 às 13:50

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