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Música, maestro!

Domingo, 27.11.05

Hoje estou mal com tudo.

A única coisa que não me irrita é a música.

Ouço muitas, desde o amanhecer.

Sempre pensei que a história do Brasil poderia escrever-se com a música.

Houve um tempo em que a bossa nova representou o ideal de um Brasil rico, feliz. Juscelino Kubstschek e a industrialização! Assim, havia espaços pra intimismos, podia-se pensar no barquinho, na flor, na garota de Ipanema.

A seguir vieram os anos da má transformação. Janio Quadros e sua loucura. Sua estupidez.

João Goulart e seu sonho revolucionário, típico do pequeno burguês nacionalista. Cheio de amor pelo país. As avaliações erradas do PCB, o racha na esquerda (o primeiro de milionésimos que se seguiram). Os militares e Geraldo Vandré, ”...caminhando e cantando e seguindo a canção."

Chico veio logo, primeiro a Banda, onde se via a vida passar na janela. Depois, canções memoráveis que indicavam que o sanatório geral era aqui.

Caetano e Gil são panfletários. Oportunistas. Aproveitaram ondas, e revelaram-se logo a seguir  animadores de picadeiros. São bons poetas. Mas, não os prezo e não os incluo na minha história brasileira musicada.

As canções de Paulo César Pinheiro e Eduardo Gudin refletiam também o susto dos jovens de classe média, e marcaram momentos bons. Mordaça. A ponte.

Chico sim, esse continua, sempre atento, acompanhando nossa geração de sonhos e pesadêlos. Apesar dos generais, tínhamos um país que acordava. Nossa cabeça rolando e nós de camisa amarela, ainda esperávamos a luz do sol da democracia, mesmo frágil e tênue, como ainda é.

Novas gerações cresceram desesperançadas. Um país infeliz, escuro e calado marcou suas infãncias. A  aids, o desconsolo, a falta de perspectivas, sua adolescência e juventude. Gritaram nas nossas caras a sua perplexidade e a sua dor. Cazuza, Renato Russo. Coincidentemente mortos, jovens, pela aids.

Vieram os axés, as Kelly Keys da vida, bundas e peitos. Silicone e requebrados.

Hoje há músicos, poetas,  de uma geração que se resgata. Lenine,  Arnaldo Antunes, Zeca Baleiro, Adriana Calcanhoto.

É dela a única música que me serve hoje, intimamente, sem país, sem história e sem memória. Vambora.

 


“Entre por essa porta agora,


e diga que me adora,


você tem meia hora


pra mudar a minha vida...”


 

PS: sei, esqueci um "monte" de bons poetas e músicos. Tudo bem. Ninguém é perfeito!

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Adelina Braglia às 13:03


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