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Cartas na mesa.

Segunda-feira, 28.11.05

Uma música que Tetê Spíndola cantou, e com ela venceu um festival – a preguiça me impede de precisar essa informação – dizia: “Caso do acaso bem marcado em cartas de tarô...”

Não sei porque acordei com essa música como “tema de fundo”. Não ouvia a música há muito tempo e não havia como compreende-la , tocando aqui no meu subcomsciente. Lembrei outro verso: “ meu amor, nosso amor estava escrito nas estrêlas, estava sim...”

Ao invés de me apegar a esse verso, preferi pensar no primeiro, no que amanheceu comigo. Cartas de tarô, búzios, cartomantes, mandingas, bençãos, terreiros, templos, igrejas e reconheço que invejo todas as pessoas que têm fé. A racionalidade não responde a todas as angústias. E me irrita escrever esse lugar comum.

Desisto de entender o recado do inconsciente e dou uma "passada" rápida pelo noticiário do dia. Caramba! fazer isso mostra que estou mesmo precisando de fé, seja ela qual for e, quem sabe, meu sábio inconsciente mandou esse recado ao me lembrar das cartas de tarô.

O PT acusa o PSDB de ter iniciado a corrupção e a apropriação das facilidades no poder em benefício próprio, para as suas campanhas. A notinha diz que as antecipações do VISA eram utilizados já em 2001. Então tá. É assim que percorreremos o corredor polonês de um país tripartido entre os cínicos, os perplexos e os desinformados.

Que o PT não inventou a corrupção, qualquer brasileiro medianamente decente sabe.

 Que a mídia é “volátil” – apoia quando convém e destrói quando lhe interessa – também sabemos, nós, os medianamente decentes.

Que o Congresso nacional é composto por picaretas – Luiz Inácio disse isso quando era parlamentar, há cerca de 7 ou 8 anos, e rendeu uma música de sucesso cantada pelo Paralamas – e que “pour cause” não há como convencer a maioria com argumentos éticos e princípios de justiça, também sabíamos.

Que a cooptação seria necessária, também. Afinal, os que hoje posam de heróis da pátria – Toninho Neto, Arthur Virgílio e outros mais ou menos medíocres – são useiros e vezeiros, até pela carga genética, em locupletar-se no cargo público.

Que o PT brincou na campanha eleitoral assumindo compromissos incompríveis – taí, gostei dessa minha invenção! – era compreensível, pelo entusiasmo, pelo jogo eleitoral, sempre relativamente desonesto. Mas, agora que as cartas – aí estão elas de novo! – estão no jogo, o empurra-empurra como argumento, desnuda o partido, desqualifica o governo e empobrece o país.

Pronto! Taí, nesse devaneio, o recado do meu subconsciente: nem cartas no jogo político, nem cartas de tarô pra nos animar. Só não posso crer que essa nossa tragicomédia estivesse escrita nas estrêlas. Talvez seja esse o meu problema: falta-me fé!

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Adelina Braglia às 07:04


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