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Rhum Creosotado.

Sexta-feira, 13.01.06

Quando a alma está asmática,dos pulmões não sai o ar.

Quando uma dor fininha perpassa as costas de um lado ao outro,

eu lembro do anúncio do bonde:

"Veja ilustre passageiro o belo tipo faceiro

que o senhor tem ao seu lado!

E, no entanto, acredite, quase morreu de bronquite,

salvou-o o Rhum Creosotado."

E lembro da minha mãe fazendo chás e mezinhas

por não saber fazer carinhos.

E do pai a atar a rede no centro da nossa sala,

a tecer as malhas finas pro peixe que não pegava,

porque mais lhe valia tecer as malhas de linha,

do que jogá-las na água.

E lembro do corre, corre, nas calçadas da infância,

dos mendigos residentes nas ladeiras da nossa rua.

Cada um chegava à porta como velho conhecido,

lavavam as mãos e os pratos que consigo carregavam.

Ali recebiam água limpa, comida feita na hora,

e o respeito das crianças.

Lembro da festa junina, da dança que não dancei,

porque se partira a sandália!

E o ar, devagarinho, vai saindo dos pulmões,

como se desanuviasse os porões da minha memória.

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Adelina Braglia às 21:57

1 comentário

De femerson@gmail.com a 14.05.2007 às 01:00

Publico um Blog sobre doenças alérgicas) e, procurando uma foto do Rhum creosotado li seu poema.
Seria possível publicá-lo?
Um abraço
Fatima Emerson

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