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Meninas.

Sábado, 25.02.06

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É recorrente a saudade dos tempos do ensino secundário! Não lembro dos sonhos. O Pondera ainda não teve o êxito esperado. Lembrei da professora de francês! Maria Rita. E acho que devo ter sonhado alguma coisa que me levou a essa lembrança.

Maria Rita não era uma mulher bonita. Mas era elegante, tinha o charme que a língua facilitava. Sim, porque naquele momento, o curso da moda era o francês. O inglês, apesar da nossa alma americanizada, não era o “boom” que é hoje, fazendo com que cada brasileiro que não sabe inglês sinta-se um apátrida!

Voltemos a Maria Rita. Suas aulas eram animadas. Ela caminhava pela sala, dando à aula um movimento que a tecnologia usada em Matrix perde longe. Falava conosco, insistindo para que, com o aprendizado da língua, aprendêssemos também bons modos.Dicas para sermos moças charmosas, e aos rapazes, recomendava-lhes serem gentis.

Ensinava, além da gramática, músicas. Foi nas suas aulas que conheci Charles Aznavour. Devo-lhe isso, permanentemente.

Certamente, pela forte lembrança que ela me traz, ouço Patrícia Kaas. Sexe fort. A canção? Agora? C’est les femmes qui mènent la danse.

Concordo tanto com isso que tentei ensinar aos filhos, dois homens, que as mulheres conduzem com sensibilidade – e uma falsa onipotência, reconheço – a dança da vida. E se fazem isso, não é um “dom”. É por ser-lhes permitido, desde a infância, externar sem pruridos, o choro, o medo, a dor. Rios de lágrimas nos lavam, para sermos sempre mais atentas à dor do outro. Digo-lhes isso sem arrogância. Apenas para que eles possam transitar com mais tranqüilidade pelo mundo e pelos afetos.

Mulheres fortes. Marcam minha vida. Além da mãe – essa dor que dói mesmo que eu não goste – a madrinha, as irmãs mais velhas, postiças mas irmãs, a irmã real,  as professoras, as amigas. Hoje, a neta, Beatriz, com seu sorriso suave e sua determinação.

Não sei se a professora Maria Rita ainda vive. Gostaria que sim. Gostaria também que ela soubesse que eu me tornei uma mulher de bons modos.Talvez sem o charme que ela pretendia. E que amo, como ela, o francês.


 

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Adelina Braglia às 09:26


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