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Gabriel Sales Pimenta.

Segunda-feira, 03.04.06

Gabriel.JPG



“A Polícia Federal prendeu, ontem pela manhã, Manoel Cardoso Neto, o 'Nelito'. Ele é acusado de ser o mandante do assassinato do advogado Gabriel Sales Pimenta, ocorrido em 18 de julho de 1982, em Marabá, no sul do Pará. A detenção, por volta das 7h30, aconteceu na fazenda Rio Rancho, na cidade de Pitangui, no Estado de Minas Gerais. Desde 2002 ele era considerado foragido da Justiça de Marabá. O acusado é irmão do ex-governador de Minas Gerais, Newton Cardoso.

Em nota enviada à imprensa, a PF informou que a operação para a captura de 'Nelito' durou aproximadamente dois meses e envolveu agentes da Polícia Federal do Pará, Bahia e Minas Gerais. O então juiz da 4ª Vara Penal de Marabá, Marcus Alan de Melo Gomes, decretou, em 2002, a prisão preventiva de 'Nelito'. Gabriel Pimenta foi assassinado, pelas costas, com três tiros de revólver, disparados à curta distância. Segundo a PF, o autor dos disparos foi o pistoleiro de aluguel José Crescêncio de Oliveira, contratado pelo chefe de pistolagem José Pereira da Nóbrega, o 'Marinheiro' - este já falecido - e tido como sócio de Nelito.

Gabriel Sales Pimenta era envolvido na luta dos camponeses da vila de Pau Seco pela posse da terra. Lá viviam, há anos, 158 famílias de camponeses. 'Nelito' pretendia a área. Para isso, diz a Polícia Federal, conseguiu uma liminar de reintegração de posse. Mas o advogado, em apoio à organização e à luta dos camponeses, fez com que a liminar fosse revogada, por meio de um mandado de segurança. Ele também exigiu que a própria Polícia Militar, que antes fizera o despejo dos camponeses, os reconduzisse de volta à Vila Pau Seco, onde estão até hoje.” (Jornal “O Liberal”, Belém, Pará, 03.04.2006)


É importante que isso tenha acontecido. Para que os mais jovens compreendam que o velho ditado “... a Justiça tarda, mas não falha...” faz algum sentido. Mesmo quando essa justiça cavalga uma mula manca durante 24 anos. Mesmo que os juízes que antecederam os Drs. Marcus Alan de Melo Gomes e Ricardo Felício Scaff, pudessem ter tomado as enérgicas providências para decretar a prisão do réu, há mais de duas décadas.


Para nós – Rosa, Daniel, Antonio Chico, Chicó, Ina, Deninha, Ireno, Juarez, Alcides, Alcidinho e outros companheiros daquela travessia – também faz diferença. Para sua mãe, irmãos, amigos, com certeza também faz. Mas fez muito mais no dia 18 de julho, quando você foi abatido a tiros.

 

Um beijo, companheiro.

 

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Adelina Braglia às 17:59

3 comentários

De Samartaime a 04.04.2006 às 20:10

Abração, Bia! Tardou mas fez-se justiça!

De Bia a 04.04.2006 às 09:19

Beijo, Paulo. Não penso no até breve, pois não creio, como você. Mas, a dor da perda nunca apagou o prazer do ganho, o privilégio de ter encontrado Gabriel.

De Paulo Soares a 04.04.2006 às 08:02

" Para o emocional nada justifica o sentimento de perda. Mas, para o social, o sabor de ter havido uma certa forma de justiça, embora tardia, nos faz ver uma pequenina luz no fim da caverna escura deste Brasil.
É, muitas vezes, decepcionante, a proteção que deveria existir à nossa cidadania.
O futuro,porém, está sendo construido, aos pouquinhos, pelos jovens estudiosos e competentes que assumirão os destinos desta nação quando não estivermos mais aqui.
Felizes nossos filhos e netos que viverão esta época!
'Gabriel, antes de uma morte esquecida, uma(s) lembranças de dignidade dos participantes da tua luta.'
Se é como eu penso, a despedida é apenas um ... até breve."

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