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O sustentável peso de ser.

Domingo, 28.03.10

 

 

 

Em 28 de março de 1941, Virgínia Woolf encheu de pedras os bolsos do seu casaco e mergulhou no rio Ouse. Punha fim à angustiante convivência consigo, reconhecendo que nem o amor incondicional era capaz de mante-la atada à vida.

 

Quando eu tinha dezoito anos, descobri que Virgínia chamava-se Adeline Virginia Stephen Woolf. Adelina, como minha avó paterna e eu. O primeiro livro dela que li foi Orlando. Ao invés de interessar-me pelo tema que gerara o livro,  lembro que fiquei fascinada pela Turquia! À época, não percebia o amor dela por Vita-Sackville West, que só fui entender anos depois, quando li “Retratos de um casamento”, livro de Nigel Nicholson, filho de Vita. Li Orlando apenas como uma maravilhosa fábula que discutia o papel restrito da mulher em Londres, no período em que foi escrito. Oh! Céus!

 

Virgínia Woolf foi minha primeira percepção de que há pessoas em quem a camisa de força da vida não cabe, e, às vezes, é insuportável.  E que a única coisa que nos mantém vivos é a nossa capacidade de resistir à angústia, tenha ela a forma que tiver. E a perseverança de viver, enquanto queremos. E, se é isso que queremos.

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Adelina Braglia às 20:23

2 comentários

De Ana Diniz a 31.03.2010 às 01:42

Oi, AB.
A primeira vez que li Orlando, não me equivoquei - eu não entendi nada, nem porque aquele livro era considerado importante. Da segunda vez, muito tempo depois, consegui entender alguma coisa. Mas como sou literariamente incorreta, preferi as cartas de Abelardo e Heloísa, que li na mesma época - a sobrevivência de um par mutilado. Para mim, Virgínia e Camille Claudel têm o mesmo tom agudo do desajuste completo, integral, impossível de prosseguir. Obrigada pela lembrança.

De Adelina Braglia a 31.03.2010 às 09:19

Bom dia, minha querida Ana:

Trabalhamos na madrugada?
Adoro quando você me acerta com esse seu "gancho" de esquerda! Beijão.

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