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Um instante de fúria. Ou mais um capítulo da hipocrisia brasileira.

Quarta-feira, 24.03.10

24 de março de 2010

FUTEBOL NACIONAL

Vagner Love vai evitar favela

Para fugir de novas confusões, o atacante Vagner Love deve participar cada vez menos das festas da Favela da Rocinha, na zona sul do Rio. O jogador do Flamengo, que aparece em um vídeo gravado na comunidade sendo escoltado por traficantes armados com fuzis, disse ontem à polícia que não tem qualquer relação com os criminosos e que vai evitar participar dos bailes no local.

Love foi convidado pelos investigadores da 15ª Delegacia de Polícia a prestar esclarecimentos como testemunha de um inquérito que apura os crimes de tráfico de drogas, associação para o tráfico e porte ilegal de armas na comunidade.

O atacante também negou que tenha recebido proteção de traficantes, mas admitiu que a presença dele ao lado de bandidos armados “não é uma coisa positiva. Estou arrependido”.

Vagner Love está confirmado na partida do Flamengo contra o Tigre, às 19h30 de hoje, no Engenhão, pelo Campeonato Carioca.

 

 

 

Alvo de pressões espúrias, da imprensa e dos lídimos representantes da “sociedade” o jogador do Flamengo, Vagner Love, acabou declarando que deixará de freqüentar e de conviver com sua família e com seus amigos.

 

Vagner assume assim uma culpa que jamais teve. A culpa de ser brasileiro, negro, pobre, morador da favela, que ascendeu “socialmente” e agora deve incorporar o cinismo e a hipocrisia reinantes nesse país e renunciar à convivência com os seus. Como Vagner não nasceu em Ipanema ou nos Jardins, em São Paulo, onde poderia privar da saudável convivência com filhos de juízes e de políticos, além de decidir, sob pressão, a evitar a convivência com a sua gente, o jogador também está convocado a prestar esclarecimentos à polícia, após ser filmado em um baile funk na Rocinha “escoltado” por traficantes da favela.

 

Não resisto à pergunta: quantos mais serão convocados a prestar esclarecimentos à polícia - ainda que não tenham sido filmados - por suas ligações públicas e notórias com traficantes, corruptos e responsáveis pelo desvio de dinheiro público?

 

Ou isso não é um péssimo exemplo para a juventude?

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Adelina Braglia às 12:50

1 comentário

De Yúdice Andrade a 24.03.2010 às 17:06

Não me interesso pelo universo do futebol, Bia. Mas tomei conhecimento do caso, interessando-me por essa leitura sobre setores de uma sociedade etnocêntrica, que repudiariam a ascensão econômica de um favelado, por meio de trabalho honesto. Também lamentei que o jogador tenha capitulado. Achei mais relevante as primeiras manifestações que fez, valorizando suas origens e destacando não ter culpa sobre os amigos de infância que viraram criminosos.
O Estado policial funciona. E o Direito Penal do inimigo também.

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