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O diabo pode precisar!

Sexta-feira, 18.09.09

 

Das viagens que não farei, não sentirei saudades sempre. Nem do Caminho de São Tiago que não vou percorrer, nem da Barcelona que não conhecerei.
 
Já não é mais uma questão de faltar ou sobrar dinheiro. É uma questão de tempo ou de disponibilidades internas, que já não existem mais.
 
Lembro da Vera dizendo que deveríamos fazer algumas coisas antes que fossemos fazer encontros de amigos secretos no andador ou no balão de oxigênio.
 
A mesma Vera que um dia, numa conversa de adolescentes, já me mostrava que não sei administrar meus sonhos.
 
Conversávamos sobre o que pediríamos para a fada madrinha se ela aparecesse ali na nossa frente. Eu, embatucada entre vários desejos, e ela firme: “Eu peço é a varinha mágica!”. E até hoje eu não sei o que pediria à fada madrinha!
 
Dos amigos que perdi para a vida que se encerrou sem autorização, sinto hoje menos saudades do que daqueles que estão vivos e que eu não encontro. Uns pela distância geográfica, outros pela distância que esse mesmo estranho tempo interno ou falta de disponibilidade dificultam. Os que morreram parecem estar muito próximos na memória dos risos e das conversas. E essas não dão trabalho: é só porta-las com a gente.
 
Acho que os melancólicos têm essa parada que eu tenho às vezes, com ou sem remédios. É como uma pausa, um “break”, para percebermos, ou relembrarmos, que a dor real é a de existir. O resto é resto.
 
Especialmente nestes tempos de canalhas à beça, de medíocres aos montes, de injustiças transformadas em destino, de qualidades contabilizadas na boca do caixa. São restos que devem ficar à margem, pra maré levar.
 
Dos caminhos que não percorrerei, não sentirei saudades.
Dos amigos que perdi, guardo as memórias.
Dos sonhos que não realizei, ficam registros.
Os desejos que jamais trouxe à tona, que se afoguem no Pondera.
É isso.
 
E, enquanto escrevia, lembrei de uma canção magnífica – Devil may care.
 
Sou sobrevivente. Muitos acreditam que o são, mas é mentira.
Mas, eu sou. E, o diabo que use o que precisar...rsrsrs...
 
 
 
No cares for me
I'm happy as I can be
I've learned to love and to live
I'm happy as I can be
Devil may care
No cares and woes
Whatever comes later goes
That's how I'll take and I'll give
Devil may care
 
When the day is through, I suffer no regrets
I know that he who frets, loses the night
For only a fool, thinks he can hold back the dawn
He who is wise never tries to revise what's past and gone
Live love today, let come tomorrow what may
Don't even stop for a sigh, it doesn't help if you cry
That's how I'll live and I'll die
Devil may care
 
When the day is through, I suffer no regrets
I know that he who frets, loses the night
For only a fool, thinks he can hold back the dawn
He who is wise never tries to revise what's past and gone
Live love today, let come tomorrow what may
Don't even stop for a sigh, it doesn't help if you cry
That's how I'll live and I'll die
Devil may care
 
 

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Adelina Braglia às 13:44


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