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Lembrando de Carolina. Ou apenas um mau sonho.

Domingo, 30.08.09

 A “pacificação” na política brasileira, suas motivações, a propalada “governabilidade” cada vez mais parecem me indicar que somos o mais perfeito exemplo de Eduardo Galeano, quando se refere à América Latina como o continente das veias abertas, sugado e expoliado pelos vampiros. Este é o Brasil, retrato 3 x 4 do que Galeano descreve para o continente. Os vampiros estão a postos e comemorando.

 

Nossa história é feita de disputas internas mesquinhas, cujo único objetivo são a manutenção do poder, ditatorial ou democrático, legitima ou ilegitimamente, mas o poder do andar de cima,  arrancado do povo que continua sambando no porão. A sensação é de que perdemos sempre e que, ainda que esforçadamente eu seja capaz de enxergar os “avanços”, estou desistindo.

 

Nossa derrota como povo serve sempre à vitória de interesses com roupagens diferentes, mas cujo motor é o mesmo: a atávica ganância desta elite sempre muito bem representada nos seus interesses. Representada até quando eu imaginei que, ainda que sem rupturas, a partir do Governo Lula os pilares desta esbórnia poderiam ser vagarosamente fraturados. Durou somente três anos a minha ilusão.

 

Garantir que o sistema bancário esteja mais tranqüilo e superavitário do que esteve nos últimos 20 anos, aprofundar a precarização das relações de trabalho, rebaixar salários para manter empregos (!!!), impedir julgamentos das mais nefastas figuras da rapública, ameaçar adversários, garantir o beneplácito da mídia a peso de ouro (financiamentos, contratos, propagandas institucionais), “compensando”  a pobreza com programas sociais insustentáveis a longo prazo, não empolga.

 

Nossos jovens morrem cada vez mais nas mãos da violência que as estatísticas agregam nas “causas externas”. “Analfabetizados” nas escolas, ali nada aprendem sobre a sua capacidade de refletir, avaliar e transformar. Têm como exemplo um presidente que se vangloria da falta de estudos e considera que errar persistentemente na fala é uma bandeira desfraldada para mostrar que ele chegou lá. Mas chegou lá não por ter ter baixa formação escolar, por ter sido torneiro mecânico ou nordestino migrante de família paupérrima. Lula  chegou à presidência como profissional do seu partido, apoiado e mantido por ele, o que faz a empulhação do “homem do povo” ser  insuportável.

 

Isso lembra de novo Galeano que cita Carolina de Jesus, a negra, a favelada, que atreveu-se a escrever e publicar um livro – Quarto de despejo. Saciada a consciência “esquerdista”, comovidos os “cristãos”, anos depois ela foi encontrada morta, pobre,  como sempre foi, numa manhã de domingo, no meio do lixo. Não era mais necessária à nossa consciência cívica.   

 

Não sei porque escrevo isso agora. Talvez seja apenas fruto de algum mau sonho nesta madrugada.

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Adelina Braglia às 07:11


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