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Não há vagas.

Sábado, 08.08.09


O preço do feijão
não cabe no poema. O preço
do arroz
não cabe no poema.
Não cabem no poema o gás
a luz o telefone
a sonegação
do leite
da carne
do açúcar
do pão

O funcionário público
não cabe no poema
com seu salário de fome
sua vida fechada
em arquivos.
Como não cabe no poema
o operário
que esmerila seu dia de aço
e carvão
nas oficinas escuras

- porque o poema, senhores,
   está fechado:
   "não há vagas"

Só cabe no poema
o homem sem estômago
a mulher de nuvens
a fruta sem preço


  O poema, senhores,
  não fede
  nem cheira

 


...

 

A poesia
quando chega
não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
de qualquer de seus abismos
desconhece o Estado e a Sociedade Civil
infringe o Código de Águas
relincha
como puta 
nova
em frente ao Palácio da Alvorada. 

E só depois
reconsidera: beija
nos olhos os que ganham mal
embala no colo
os que têm sede de felicidade
e de justiça 


E promete incendiar o país

 

(Ferreira Gullar - poema 1 " Não há vagas" ; Poema 2, " Subversiva")

 

 

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Adelina Braglia às 07:24

2 comentários

De Margareth a 09.08.2009 às 02:25

Boa noite, querida
Me permita uma parte como complemento... do mesmo autor, claro. Um beijo

Subversiva

A poesia
quando chega
não respeita nada.
Nem pai nem mãe.
Quando ela chega
de qualquer de seus abismos
desconhece o Estado e a Sociedade Civil
infringe o Código de Águas
relincha
como puta
nova
em frente ao Palácio da Alvorada.

E só depois
reconsidera: beija
nos olhos os que ganham mal
embala no colo
os que têm sede de felicidade
e de justiça

E promete incendiar o país

Ferreira Gullar

De Adelina Braglia a 09.08.2009 às 03:09

Por essas e outras é que a poesia é necessária. Beijo.

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